Uma outra lógica

Teorias de uma mulher, literalmente, de outro mundo...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Vegetarianos Chatos!



Nós sabemos o que o mundo pensa da gente, mas não podemos deixar de lado um ideal só porque toda a humanidade não está nem aí.


O texto abaixo reúne pérolas escutadas por nós vegetarianos e ironiza esta situação.


Eu não aguento mais esses vegetarianos chatos!
Acham que sabem tudo sobre a natureza, se sentem os ativistas, desfilam pelados e fazem manifestaçoes enjaulados.
Na verdade, eles fazem isso só pra aparecer... e nos provocar.

Pô, querem proteger os bichinhos, que protejam!
Mas me deixe comer animais em paz.

Vocês precisam respeitar que eu não respeite as outras espécies. Voces tem que respeitar que eu não me importe com o planeta, com o futuro nem com os animais, a não ser meu poodllezinho que amo e em nada se assemelha com o porco que como.
Como - amo... Quase rimou. Para um dou amor, para outro, a dor. Agora rimou!

Vocês tem mania de achar que estão sempre certos com esse papo de que não matam para comer. Eu também não oras! Quando o bife chega até mim não se parece nenhum pouco com boi e a ignorância deixa minha consciência tranquila.

Além disso, eu não mato, eu só pago para matarem. O culpado da matança não sou eu, mas quem enfia a faca.

Eu só compro o que está na vitrine... Animal é um produto como outro qualquer.
Eu os visto, os escravizo, os como, porque eu, com toda minha inteligência, os possuo.
Uso como bem entendo e a vocês resta somente respeitar.

Tudo o que é aceito socialmente, pode. A cultura me dá guarita, a medicina convencional me dá o aval.

Não é você com se sentimentalismo barato que vai mudar isso.

Já pensou se eu fosse proteger todas as vitmas de todas as injustiças? Não teria tempo para trabalhar, ver minha novela, trocar de carro nem para me entupir de remédio. E vocês ainda fazem isso de graça! Depois eu é que sou bobo. Trabalhar de graça por seres irracionais que não tem nem condição de agradecer é demais pra mim.

Pô, vai pensar nas crianças na Somália, vai dar sopão pros mendigos, vai dar apoio ás vitimas de catástrofes... Depois que tudo estiver resolvido, toda a humanidade esteja em paz, aí sim, vocês se preocupam com as subespécies.

Mesmo que eu também não faça nada disso, me sinto automaticamente no direito de te dizer o que é prioridade.
Mas é que eu não tenho tempo pra essas besteiras.

Vocês não são melhores do que eu. Também pago impostos, também tenho família, também amo os meus.

Passa mesmo pelas suas cabeças que iremos largar a carne para vos agradar? a-ha-ha.
Eu não vivo sem e não quero querer viver sem.

É a lei da selva: o maior come o menor. O leão come a gazela e eu como a galinha. A diferença é que eu não tenho coragem de matar.

Leis não devem ser questionadas. Sempre foi assim e sempre será. Se é bom ou ruim, é apenas um detalhe.

Pra que Deus criou os bichos então, se não podemos nem comê-los em paz?
A própria bíblia diz que eles estão aqui para servir ao homem. E mesmo se for pecado, no dia do juízo final, Deus entenderá que eu não sabia e me absolverá.

Afinal, sem consciência não há consequência!
Até entendo que salvemos as baleias e os pandas, afinal eles estão lá longe. Mas daí a a amar os bois e porcos é exagero. Eles nem são tão bonitinhos assim...

Resolvi escrever este texto, porque não quero falar mal de vocês só entre os que me entendem, em dias de cerveja e churrasco. Isto está me sufocando! Não gosto de como me fazem sentir culpado. Eu não deveria me sentir assim e a culpa é de vocês.

Somos a maioria e a maioria pode até estar errada, mas no bolo isso não tem problema. é como um crime de guerra e eu preciso sobreviver.

Sobreviver com minhas convicções, com minhas manias e meus hábitos, porque afinal me faz bem, ninguém tem nada a ver com isso e o problema é meu.

Nem vocês nem os animais pagam as minhas contas.
E mesmo se pagarem, eu nunca pedi.

Já faço um esforção para amar a minha própria família, me relacionar com meus colegas de trabalho, tolerar a humanidade e vocês ainda querem que eu me preocupe com os bichinhos lá de Minas? Eu tenho mais o que fazer.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Meio Termo

O meio termo nunca esteve tão em alta, tão na moda e nunca foi tão clichê...

É como se o meio termo estivesse predisposto ao acerto. Como se o meio fosse a meta, o final. Ou como se a metade do caminho significasse, exatamente e sem nenhum esforço, o equilíbrio.

E eu estou aqui para dizer: cuidado com isto.

Se cremos em bom e mau, em certo e errado ou mesmo na relatividade, o meio do caminho não é o melhor lugar para se estar. Ao contrário, devemos estar do lado da coerência, da justiça, da bondade e da verdade; não da cultura irracional, do preconceito, do egoísmo e da preguiça. Porque ter meia qualidade em um quesito, pressupõe ter meio defeito no mesmo ponto.

Então por que não ser apaixonadamente parcial – ou mesmo "radical" -, quando a causa é boa?

O meio é onde permanecem os indecisos, acomodados ou inexperientes. Assumamos que esta é uma etapa transitória necessária, mas também dispendiosa, pesada, cara demais para permanecer nela.

Porque até mesmo para reconhecer se estamos errados, é necessário refletir, tomar parte e saber onde estamos na trilha deste caminho para, inclusive, ter condições de mudar de idéia.

Ter convicções não é ruim. O que não é bom, algumas vezes, é como se chega a elas. Se as evidências, a consciência e reflexão levam à determinação, ótimo. O hábito e a teimosia não levam à convicção, mas ao achismo. E o futuro de todo achista convicto é um caminho bem mais longo até a verdade.

E esse mundo é tão louco que libera tudo e nos deixa à própria sorte para decidir que atitude tomar.

O alimento é saboroso e farto, mas não podemos comer para não engordar. O sexo é fácil e rápido, todo mundo gosta, mas também é "imoral". A roupa é bonita e barata, mas não temos dinheiro para comprá-la.

Liberação e limitação sempre. E sem muita explicação.

O segredo não é o meio termo, mas o equilíbrio. Não é fazer de tudo um pouco, mas fazer muito do que é bom e desprezar o que não é, mesmo que não agrade a todos.

Acorde: nunca agradaremos a todos, mesmo que nos amem.

Não tema rótulos. Esta é uma necessidade social e nada tem a ver com o que somos. Seja radical sim se isto for o mais sensato.

Se violência é sempre ruim, então seja radicalmente contra. Se pedofilia é sempre ruim, então seja radicalmente contra. Se corrupção é sempre ruim, então seja radicalmente contra. Se trair é sempre ruim, então seja radicalmente contra. Seja radicalmente contra tudo o que desvaloriza, prejudica, apaga.

Ser radical, defender um ideal com paixão, não é sempre mau.

Num mundo tão paradoxal, com pessoas tão alucinadas e sem qualquer autocrítica, a única saída é se informar sobre tudo, saber ler os sinais, buscar a verdade, a sobriedade, o trabalho e o equilíbrio.

Se esparramar no sofá, criticando os “radicais” e dizendo-se do meio termo, pode até te colocar entre as pessoas agradáveis, mas jamais entre os justos, entre os bons e entre os especiais.

Quem concorda com a maioria não corre o risco de ser xiita, mas também não corre o risco de dar um salto evolutivo. Não tem chance de fazer a diferença.

Mas isso é o que mais tem.

Não dá para ser pleno e comedido. Desista de ser legal e se posicione.

Você será rotulado de radical sim. Mas o que tem demais? E quem se importa?

Aprenda que as pessoas criticam tudo o que não conhecem e tudo o que não conseguem ser. Não têm sabedoria, equilíbrio e, na maior parte das vezes, nem inteligência.

Não siga a boiada, pois ela vai pro abatedouro. Não seja mais um na multidão. Seja tudo, menos mais um.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ilusão

Teimo em observar, mas a história é sempre a mesma:...

Uma humanidade perdida e infeliz, apegada, num ciclo vicioso de caos, como ratos no labirinto, acreditando na sorte de achar a saída, sem verdadeiramente desejar encontra-la.

Desperdício de tempo e energia com ilusões. Tomamos emprestadas as emoções dos filmes e analgésicos para enfrentar a vida real.

Os diazepínicos não vão ajudar...

Nem nada que esteja fora de ti.

Uma juventude vendida a troco de sexo, drogas, rock n´roll e superficialidade. Não sabe o que fazer com seus anos dourados e, por conseqüência, joga no lixo toda a oportunidade genuína de crescimento. Sem sabedoria, sem ambição, sem alegria, sem amor próprio.

Também desperdicei vários anos de minha vida com nada. Acreditei em papai Noel e Hollywood tempo demais. Me subjuguei, me desvalorizei e errei. Mas quando tive contato com a verdade, não me apoiei em desculpas esfarrapadas para permanecer no erro. Simplesmente não me restou opção a não ser agir. Não me restou escolha a não ser me tornar quem sou.

É solitário me chocar com coisas tão bem aceitas por toda a sociedade. Talvez nem você que lê agora, compreendesse esta solidão ou o porquê de minha tristeza. Mas é que simplesmente não posso fingir que está tudo bem... Porque não é honesto e porque nunca esteve.

É muito fácil ser contra a fome, a guerra, a pedofilia, a corrupção, a tortura, a degradação humana, a destruição da natureza.

Mas o que você faz ativamente por um mundo melhor? Não joga lixo no chão? É preciso um pouco mais.

Fazer o que é obrigação não nos torna imaculados. É preciso trabalhar. Ser contra estes absurdos é até natural. Fazer algo é sobrehumano. E alguns o são.

Mesmo assim, é necessário ser seriamente coerente e aproximar discurso e prática.

Por exemplo: não faz o menor sentido ser contra toda a dor provocada pelas guerras e se alimentar da carne de animais que também sentiram muita, muita dor para que você se satisfaça e diga que “não consegue viver sem”...

O buraco é bem mais em baixo.

A ética, quando é ética, é irrestrita e universal. Não discrimina nada, respeita tudo. Se for diferente disto, é um conceito simplista que diferencia o senhor de engenho e o dono do abatedouro pelo tipo de vitima que faz sofrer.

Este segundo financiado diretamente por quem se nega a enxergar a verdade.

São muitas as ilusões das quais precisamos nos libertar, mas se a vida em todas as suas dimensões não for sumariamente respeitada, esqueça qualquer tentativa de paz.

A paz é uma iniciativa. Não é passiva, não advém de sorte. E para chegar até ela, precisamos abrir mão do que é mau, mesmo que pareça bom, para tê-la.

Enfim, tenho sérias dúvidas sobre se a humanidade realmente deseja a felicidade, ou se a imersão no caos nos viciou, pois a vida é um reflexo do que somos. Se fôssemos tão bonzinhos quanto queremos acreditar que somos, o mundo não estaria assim.

Aproveite seu tempo, aproveite seus braços e pernas e cérebro para mudar o destino. Use sua saúde e juventude para praticar verdadeiramente o bem, sem demora, sem desculpas. E não desista jamais.

" Um ser humano faz parte de um todo que chamamos de 'universo'
ele permanece limitado no tempo e no espaço.
Ele faz a experiência do seu ser, dos seus pensamentos e das suas sensações
como estando separados do resto uma espécie de ilusão de óptica da sua consciência.
Essa ilusão é para nós uma prisão,
limitando-nos aos nossos desejos pessoais e a uma afeição reservada aos nossos próximos.
Nossa tarefa é nos libertar dessa prisão alargando o círculo da nossa compaixão
a fim de que abrace a todos os seres humanos
e a natureza inteira no seu esplendor".
Einstein, meu vegetariano mais inteligente.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Tristão da Cunha


Tenho navegado pelo Google Earth atrás de lugares remotos, nos confins do mundo, onde nem era para existir gente e fiquei pasma com o que descobri.

Me interessei por este assunto, quando li uma matéria na revista “Seleções” (excelente por sinal), sobre a Ilha de Pitcairn (perdida no Pacífico sul), considerada a Ilha mais inacessível do mundo. Fiquei ref

letindo muito sobre o que significa viver em constante isolamento e as coisas que isto implica, como casar com uma pessoa de lá – sem outras possibilidades – e que tipo de sentimento eles têm por serem um belíssimo pontinho mal visto do pacífico sul.

Bom, desencantei um pouco de Pitcairn quando soube que um terço da população praticava a pedofilia...

E em minha busca pela ilha habitada mais remota do mundo, encontrei a magnífica Tristão da Cunha, bem no atlântico sul, no meio do nada. Esta ilha leva o nome de seu “descobridor” português em 1506, que de tão inacessível, não conseguiu atracar. Foi impedido pelos penhascos de 500m de altitude e seu mar bravo. Uma pena.

É tão difícil imaginar como vive aquele pequeno povoado de 80 famílias e água por todos os lados. Tudo que possuem de material vem de fora ou é basicamente produzido por eles próprios.

Já pensou o que é nascer num lugar tão limitado em seu infinito?... Já pensou o que é conhecer em sua vida toda cerca de 200 pessoas? Já pensou o que é o silêncio, o deserto, a restrição e a paz que pode experimentar?

Isto tudo me deixou muito intrigada.

Não sabemos mais viver assim. Já fomos verdadeiramente capazes de viver sem tecnologia alguma, mas depois que ficamos tão acomodados, eu já duvido que possamos sobreviver sem nossos luxos.

Eles estão tão longe fisicamente, quanto eu e meus “amigos”, espiritualmente. Como os moradores de Tristão, não estamos nem melhor nem pior, apenas totalmente fora de contexto.

Deve existir um lugar para nós. Não precisaria esta tamanha distância, mas em completa harmonia e conexão com a Terra e com o Universo.

Este planeta é tão grande e maravilhoso... Tem de tudo e tudo é lindo.

Tristão da Cunha só é tão perfeita porque é longínqua, porque nossa espécie destrói tudo o que está perto.

E de alguma forma, é bom saber que existem locais intocáveis, adoráveis e “instragáveis”. Assim torna-se menos difícil compreender que posso ser tão livre em pensamento, estando ancorada a este sistema e, enfim, ser feliz com o que tenho e busco, podendo me concentrar nisto, sem me desgastar com mais nada.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tempos Estranhos

Tempos estranhos, dias misteriosos, sentimentos diferentes...

Assim que tem sido os últimos meses para os que têm olhos de ver.

Para quem observa está tudo muito - e cada vez mais - claro.

Apesar disso, a mudança é sutil, a ponto de despertar apenas aqueles que param para pensar... E que realmente desejam a verdade.

Os globo-guiados não perceberam nada. Nem perceberão até que o próprio céu caia sobre suas cabeças. Tarde demais.

Eles não se preocupam com o que está acontecendo e os verdadeiros cérebros que conduzem a boiada também não se preocupam com quem não os critica. Porque para criticar, é preciso antes acordar da aparente delícia que é a ilusão, para então perceber a prisão espiritual na qual se encontram... E sinceramente, quando não se tem força, dá tanto trabalho se libertar que para a maioria realmente não há outro caminho senão aguardar ignorante o mundo desabar. “Sofre-se de uma vez só”, diriam.

Não adianta gritar, ninguém vai escutar.

Talvez porque a TV esteja alta demais, talvez porque a verdade esteja sendo dita em outro idioma. Ou ainda, os ouvidos tenham sido preparados por toda a vida para não ouvirem nada de relevante.

O fato é que está tudo diferente.

Os sons, os ventos, as cores, os aromas, as tardes, os momentos, as sensações. Perceba você ou não.

As coisas estão acontecendo diante dos olhos de todos e ninguém é capaz de olhar.

Enquanto você lê em paz sua revista de moda e agenda sua manicure, eu tenho uma pressa agoniante. Eu me dou conta de que suas roupas e suas unhas feitas em nada ajudarão sua evolução, mas você continua a se divertir com sua vida de mentira. E diz que todo o resto é loucura.

Os desordeiros inconseqüentes do mundo inteiro se ocupam irracionalmente de divertimento e egoísmo, enquanto uma meia dúzia se importa e trabalha reflexivamente pelo bem coletivo.

Me diga você... Têm como continuar como está? Existe alguma chance da vida continuar da forma que concebemos? Quanto tempo este pobre planeta nos agüentará fazendo dele lixão e esgoto?

Pode chamar de loucura, se isto o conforta. Pode chamar do que quiser se o fizer se sentir melhor.

Aliás o que menos interessa é o nome que será dado. Já estive do lado de lá e sei como pensam... O esforço que têm que fazer para não acreditar, as estratégias que têm que usar para ignorar, para diminuir, para desvalorizar o que não conseguem compreender.
Sei como funciona.

Para o universo, só importa quem está colaborando, ou seja, rumando para a evolução, pagando o preço. São de muito pouca relevância a verdade pessoal, o conforto, os achismos.
Eles irão sucumbir também.

Esqueça o salvador. Ninguém pode fazer nada, senão você. Com seu próprio esforço, seu próprio raciocínio, sua própria vontade.

Os adormecidos estão tendo seus últimos instantes para despertar.
A maioria usa remédio para acordar, remédio para dormir. Algum dia não estarão sob o efeito de uma droga, alertas para perceber?

Mas não é para estes que escrevo... É para os meus pouquissímos gatos pingados de irmãos que estão por despertar e precisam apenas de uma badalada...

Não percamos mais tempo com o inútil, não percamos mais tempo com o supérfluo, não percamos mais tempo com o que é aparente, superficial e irrelevante.

Os sinos soaram... Venham.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Voar

Para despertar e compreender melhor tudo o que esta acontecendo e que está para acontecer, é necessário ter um bocadinho de fé e um bocadinho de ateu.

Além disso, é fundamental ter disposição para o trabalho (físico e mental), desejar e buscar visceralmente a verdade. Buscar a consciência a cada instante, a cada palavra, em cada pensamento, em cada movimento... O tempo inteiro.

Uma mente realmente desperta não sucumbe ao materialismo, ao supérfluo, ao banal. O ser humano deve seguir em retidão de honestidade e se entregar às verdades universais. Mas ao contrário, o que se vê é negação do óbvio e a impotência diante do próprio futuro.

As religiões transformam “deuses” em “servos”; reis em escravos. Ela é necessária até o ponto em que precisamos de leis a seguir, já que estamos à deriva de princípios. Mas a partir do momento em que nos fortalecemos e nos aprofundamos na verdade, não há mais o que temer. Nem ao diabo nem a Deus.

E esta verdade é: você é o único responsável pela glória ou fracasso que sua vida se tornar... E só você pode crescer com o primeiro e sair do segundo.

Enquanto esta obviedade for considerada heresia não há muito o que fazer, senão esperar. E aí é melhor que se mergulhe na ilusão até que a verdade se revele lenta ou violentamente.

Então para evoluir ativamente, precisamos ter a certeza de que a perfeição é sempre o ponto de partida e de chegada de todas as coisas. O resto é transição. VAI PASSAR.

Crescer ativa e rapidamente exige abrir mão de valores que aprendemos tenramente serem corretos e insubstituíveis.

Os principais problemas da humanidade são medo, comodismo, culpa e apego. São estas quatro palavrinhas amaldiçoadas que impedem que sejamos donos e construtores do mundo que sonhamos ter.

A princípio, abrir mão é difícil... Uma grande loucura. Afinal, passamos a vida inteira acreditando e buscando as coisas erradas. É “descer” demais admitir que perdemos tanto tempo. Muito mais fácil seria ligar a Tv e deixar que os políticos decidam por mim o rumo de minha vida... Sem responsabilidade, sem esforço, e ainda com o plus de me sentir no direito de criticar tudo o que não dê certo.

Mas o caminho é árduo e solitário justamente para que apenas os fortes possam trilhá-lo. A verdade não precisa de propaganda. E é mesmo melhor que ela fique onde está para que nós é que tenhamos que ir até ela.

Ela não quer multidões...

Ela sequer precisa de nós para existir!

Ela não se ocupa de suas teorias sobre ela...

Para acreditar, é bom ter fé sim. Não esta fé deturpada pela religião... Mas a fé que confia, que não se entrega, que tem a certeza de que tudo o que acontece é para o bem.

Além da fé, o requisito básico é a sabedoria. Sem ambos, nos tornamos fanáticos irracionais ou ateus teimosos.

Mas quando unimos ambas, fica claro que podemos sim ir longe, voar, eternos, grande e realmente livres.

domingo, 18 de outubro de 2009

Profunda Superficialidade

Desde que o homo se tornou “sapiens” (entre aspas, porque nada tem de “sapiens”), ele não se preocupa com mais nada além do que é seu e em ter cada vez mais pertences, mais conforto.

Isso deu “certo” por muito tempo, pois haviam muito poucas pessoas no mundo e, muitos dos nossos contatos, eram parentes, pessoas que amávamos ou tínhamos uma ligação estreita.

Mas atualmente, empilhados em prédios, o máximo que temos de proximidade é o cumprimento ao vizinho – que apesar de morar ao lado, você não sabe nada sobre – e colegas de trabalho – colegas de competição, dificilmente amigos – os quais você não escolheu para partilhar seus dias e não ama.

O que sobra, além disso, são esposa/marido e filhos que você encontra a noite e, quase que por coincidência, dormem na mesma casa que você.

Nas grandes cidades, as pessoas passam mais tempo em seus carros ou ônibus mais tempo do que com sua própria família...

Por baixo delas escorre um caldo preto feito de desinfetantes, resto de comida, aborto e fezes... Que se voltam contra nós a cada chuva abençoada. E até a chuva, até a água que cai dos céus é poluída.

Acreditam num salvador, mas não acreditam em si mesmas... Negam a perfeição natural de seus corpos, permitem que o individualismo sobressaia ao amor, se apaixonam por qualquer coisa e amam tão pouco... E para coroar sua prática suicida, sequer conhecem a si mesmas!

Não existe mais um momento de silêncio, suas preocupações se resumem à contas, dinheiro virtual, adquirir mais contas.

Reciclagem é coisa para pobre.. Ou para países ricos, não é o nosso caso. “Isso não tem nada a ver comigo”.

O que não compreendemos enquanto espécie “sapiens” é o óbvio: nossos atos têm conseqüências, mesmo que sejamos bonzinhos e mesmo que não saibamos nada sobre o assunto.

Um exemplo fácil é... Se você come carne, automaticamente é um antiecologista (ou pelo menos um ecologista superficial) e participa sim dessa matança. Ou você acha que a ética só vale para os iguais? Se você sabe que está errado, o fato de evitar pensar nisso, não te absolve. Ao contrário...

Nem tudo que nossa falha lei permite é moral.

Lei não é o mesmo que justiça.

A consciência existe em todos. Mas nem sempre queremos ver a verdade. Nos atemos a Verdades convenientes e subjugamos a verdade universal, que está acima de qualquer coisa.

Não temos tempo para amar nem o mais próximo, então como amar toda a humanidade? Como se sente no direito de julgar, sabendo que todos os seus conceitos foram decorados em programas de TV?

Se você não quer parar de pensar em si mesmo, é o planeta que precisará parar para que você pense em tudo. Não sei como, não sei quando... Mas para ter certeza só é necessário se abrir.

A Terra não merece mais tanto descaso, tanta falta de cuidado, tanta lama.

Eu não a culparei se o pior acontecer...

“Tenho consciência, tenho ética, penso, logo existo”.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Como é difícil...

Tem hora que bate até um desespero, uma solidão.

Estamos sozinhos numa multidão.

Falta afinidade e profundidade com quase todo mundo, até para os bons.

Todos falam demais e dizem nada. Têm preocupações tão supérfluas. Sequer conseguem ver o emaranhado de ilusão no qual vivem... Criado por si mesmos. Ilusões tão profundas que sinceramente não sei se há como sair. Pessoas que remam a favor da maré, “inconscientemente por opção”.

O planeta precisando tanto de cada um de nós e cada um de nós tão preocupados consigo mesmos, com os seus, suas contas, seus bens e com mais nada. Andando para tudo o que não é “meu”.

Seguimos como robôs nossa rotina patética, com necessidades bestas, nutrindo a matrix e o conforto de uns poucos. Não temos direito a nada, a não ser o que esteja submetido às leis criadas por outros homens que nada tem de melhor.

Estamos suficientemente viciados na ilusão para não vemos um palmo diante do nariz e a culpa não é de ninguém lá fora. E o pior: estamos tão profundamente imersos na superficialidade que nós mesmos, pessoalmente e em carne e osso, combatemos tudo aquilo que pode nos abrir os olhos, rotulando de chato, trabalhoso, louco ou até se julgando imperfeito demais para colocar em prática o que sabe que deve ser feito. Diminuindo o valor do foco ou até se diminuindo para não entrar no foco.

E quando alguém consegue sair desses sistema caótico, é puxado para trás e para baixo. É desestimulado, ironizado e solitário.

Me concedam pelo menos o direito de não querer mais fazer parte deste mundo... Para poder mergulhar e fazer parte deste planeta!

Quero ajudar a evolução dos outros, mas sem atrapalhar a minha própria. Quero aprender a partilhar, a me doar, a me conectar, a amar, a ser uma coisa só. Não estou interessada na liquidação das Casas Bahia.

O mundo todo ruma claramente para o caos, enquanto assistimos ignorantes às novelas e usamos orgulhosos as roupas da moda.

Num sistema nada sustentável, consumimos, extraímos, exploramos, como se não pudesse haver conseqüências para este “livre” arbítrio irresponsável e egoísta.

São tantas verdades a serem descobertas que não sei por onde começar.

O único segredo para desvenda-las é buscar. Buscar, buscar e buscar muito, diariamente, eternamente, porque a maré conspira contra, descaradamente. Mas temos ao nosso lado o universo conspirando a favor... Dos escolhidos por terem condições de fazer reais e drásticas mudanças em sua vida e na vida do planeta.

É duro sentir a verdade e não poder mudar o mundo.

Mas pensar nisso é pedir demais, está na hora do futebol

domingo, 11 de outubro de 2009

Sinais

Muitos esperam um milagre - ou uma tragédia - para mudarem o rumo de suas vidas de maneira positiva e definitiva. Mas a maior parte nao quer mudar coisa alguma e tudo que importa é ter. O "ser" é bonitinho, mas dificil de aplicar.
Então as coisas ficam por isso mesmo.
Esta humanidade veio ao mundo a passeio.

Mas aqueles que procuram respostas - aquela meia duzia que conhecemos a milhas de distância - devem estar atentos aos sinais, a cada questionamento que fazem ao universo, pois ele SEMPRE responde.

Você pode chama-lo do que preferir, ele nao liga! Krishna, Deus, Universo, consciência criadora... É dele que viemos, para onde iremos e onde estamos. Somos todos um e parte do todo...
E parte dele.

Para que a resposta venha, primeiro é necessario definir-se a pergunta e tê-la em mente, pelo menos. Melhor seria se informar sobre as possibilidades...

Estar aberto a resposta, ainda que ela não seja a desejada é fundamental. A boa notícia é que o coração e a razão - quando há compromisso e amadurecimento - ao contrário do que insistem em nos fazer pensar, andam quase sempre juntos. O importante é ter certeza de que o sentimento que norteia é livre, jamais apegado.

Depois, é preciso estar atento aos sinais. Eles dirão de várias formas a mesma resposta ou então os sinais se complementarão para dar-lhe a conclusão.

Em seguida deve-se interpretar o sinal. Mas de alguma forma, ele casará com as informações que já temos, trazendo clareza e não dúvida. Não seja tendencioso, apenas se prepare para ele.

A partir daí, todos os sinais te levarão para o mesmo lugar. A escolha do rumo é só nossa. Somos os únicos responsáveis pela nossa glória e fracasso. Sempre com a certeza de que todo o mal é transitório e todo bem real, permanente.

Estamos meio ao caos, mas o destino é evolução inevitável, é a perfeição.

Os sinais levam os atentos para seus caminhos, sem arrependimentos, para a autoresponsabilização, para a felicidade plena, para o amor universal, para o delicioso despertar da consciência.
E se isto o consola, os sinais são para todos que pedem e há vários outros de você por aí, indo para nosso encontro definitivo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Mudança


Um belo dia, sei lá como e porquê, um cara com umas idéias muito doidas, me adicionou ao MSN e começou a dizer coisas que apesar de meio lunáticas, também faziam muito sentido para mim. Através dele conheci uma comunidade de pessoas que também tinham esses “devaneios” e, de repente, as coisas deixaram de parecer loucura para se tornarem perfeitamente óbvias.

E aqui estou eu agora falando pra vocês sobre isso!

Preciso dizer algumas coisas muito relevantes.

A primeira é que você não poderá mais comprar nas lojas Americanas em 10x sem juros. O McDonald´s vai acabar. Ford, GM, e ate a Porshe deixarão de fazer sentido. Tanto fará ter celular do modelo mais recente, pois ele sequer funcionará.

De nada adiantará sua influência, os créditos, os favores, pistolões ou tudo aquilo que você acumulou por anos, que não seja espiritual.

Enfim, o mundo como você conhece não vai ruir. Ele vai simplesmente deixar de existir. Ou no mínimo se transformar radicalmente. E todos sabemos que muito pouca gente tem condição de ficar.

Pouco importa a que religião pertence, a quem serve, pelo que luta. Se não for nobre e altruísta, end of line.

Antes que decida desconsiderar tudo o que tenho a dizer, peço que fique até o final. O fato de você ignorar a verdade, em nada implicará sofrer as conseqüências dela. A verdade nem precisa de você para existir.

Não seja como a maioria. A maioria sempre se dá mal.

A maioria faz tudo o que a TV e a Caras mandam.

Você compra o que eles querem, você sabe o que eles soltam, você ate pensa o que eles programam! Você compra inutilidades na Casa & Vídeo, você usa aquele atraso de vida chique que é o cartão de crédito, você acha que seu carro 2006 é velho, assiste as noticias que os jornais catastróficos vespertinos veiculam, tem o plano de saúde mais badalado, vê a novela das, pertence à religião que lhe dá mais medo, gasta com as roupas da moda mesmo que sejam ridículas! Me diga O QUE VOCE FAZ DE DIFERENTE DA MASSA? NO VOCE PENSA E É VERDADEIRAMENTE DIFERENTE DE TODO MUNDO?

Informe-se sobre tudo que existe. Não se defenda atrás de argumentos clichês. Leve o conhecimento à sério e mude. Tudo só está acontecendo para que você mude. Para que os últimos se transformem, antes que seja tarde.

Pare com esse negócio de deixar para amanha a evolução. Você já perdeu tempo demais com esta desculpa furada. O planeta não vai ficar esperando você despertar para seguir. Seja o senhor de seu destino. Tome de volta as rédeas que você entregou à TV!

Logo nada mais do que existe hoje fará muito sentido, mas isso é bom. Casas sem tranca, sem muros, homens de palavra, amor fraternal, sem injustiça e muito trabalho. É isso o que permanecerá.

O mundo todo vai mudar para você mudar.

Vai melhorar para você melhorar.

Seja grato por isto. É tudo que sempre pedimos.

Não digo que será fácil, mas foi pra isso que viemos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Aguardando Passivamente a Evolução


Sabemos que a maior parte da humanidade não se importa com coisa alguma a não ser com seu umbigo, sua casa, seus filhos. Se gaba de não praticar o mal, dar esmola e ir a igreja aos domingos.

É como se para ser bom, não precisasse se aprofundar em coisa alguma, a não ser ficar na sua e procurar fazer seu trabalho direito, tratar as pessoas bem. E o pior é que (novamente) a maioria nem faz.

Estas pessoas não escutam nem a si mesmas, que dirá ler livros profundos, expandir consciência... Verdadeiros escravos da matrix, nascem, crescem, reproduzem, envelhecem e morrem como qualquer animal na natureza. A única diferença é o conforto em que vivem...

Se auto condenaram à uma evolução mecânica em que pouco precisam fazer para subir um degrau evolutivo. Não estão nem um pouco preocupados com o tempo. Só que enquanto não se preocupam com isto, vivem e acumulam karmas adquiridos inevitavelmente em seu dia a dia pacífico... E Passivo.

Porém há um outro grupo de pessoas, menor e mais interessante, que têm alguns pensamentos muito profundos quanto a um assunto, às vezes fazem projeção astral, a caridade verdadeira, tem comunicação direta com espíritos evoluídos (seriam ETs?) ou tem um grande amor em si... Mas não ligam para outras coisas igualmente ou até mais relevantes.

O conhecimento e a prática fragmentados são frágeis e funcionam como uma âncora para a evolução pessoal. Consegue-se ir adiante, mas numa velocidade muito lenta e com muito mais esforço... Até se dar conta de que precisa deixar a âncora pra trás.
É preciso deixar qualquer vício e apego para expandir.

É tão óbvio ne? Mas quase ninguém faz. Reconhecemos o erro por décadas, ou até várias encarnações e não somos capazes de abrir mão de coisas piores por coisas melhores... Por cultura, por prazer, por preguiça, por não se deixar tocar pela verdade.
Encarnando e desecarnando até tomar uma decisão séria: a decisão de evoluir.

As desculpas são sempre as mesmas e nem percebem o quão ridículos os clichês são... “Um passo de cada vez”, “Tudo tem seu tempo”, “Ainda não é o momento”, “ Não estou preparado para isso”... Mentira! Se a verdade chegou ate você, é porque este passo tem que ser dado, você tem que parar de perder tempo, é o momento sim e você esta mais do que pronto para fazer. Não coloque a culpa em qualquer outra coisa que esteja fora de ti!

Muitos estão esperando a transição planetária e a escassez de carne para parar de comê-la, por exemplo. Qual o mérito em respeitar a vida quando não há o que respeitar?

Esta claro que só permanecerão neste planeta, os selecionados para reconstruí-lo. Esta escolha não se baseará em nada senão na ampliação da consciência. Qualquer outro critério de seleção seria injusto.
O universo nunca é injusto.

A preparação para qualquer coisa, só depende de você. Substitua um defeito por uma qualidade, como fazem os gnósticos. Se és diferentes, mas adotou estes clichês comodistas dos quais falei, reflita... Desligue a televisão e converse consigo mesmo!
Agora!

Permita-se ser melhor a cada instante. Seu crescimento não depende de mais ninguém. Deixe para o destino o que for inevitável, mas como ser pensante, faça acontecer!

O conto de fadas acabou. Há muito tempo!
Que tenhas uma excelente e rápida evolução...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ainda não é a hora...

Tanta coisa pra eu fazer e eu aqui...

Tantos sonhos pra sonhar, tantos projetos pra concretizar... E eu aqui. De mente livre e corpo preso na matrix.

Sei que estou aprendendo outras coisas, compreendendo que cada um está exatamente onde deve estar. Mas isso somente não me sossega.

Me conforta saber que provavelmente existem outros que compartilham deste sentimento. Saber que minhas almas gêmeas, irmãos de coração estão por aí é um consolo e uma recompensa à minha angústia, outrora solitária.

Estou a ponto de encontrar minha família espalhada por aí. As pessoas com quem dividirei o resto da minha vida. Talvez já tenha até encontrado alguns...

Pois é... O mundo precisando do meu trabalho para sobreviver e eu trabalhando pela minha sobrevivência. Sair do sistema escravizante não é fácil. Mas a necessidade de fazê-lo para mim é indiscutível. Não será possível ampliar a consciência no meio do caos, porque o caos é limitado. Ao contrário do que enfiaram em nossas mentes, pode-se aprender mais na harmonia do que na desordem.

Então sigo meu caminho. Uso meu sono para aprender, meu espaço livre para planejar, meu universo paralelo para criar.

Estou saindo da Matrix. Libertando minha mente, libertarei meu corpo.

Ser livre não é fácil, mas não há outro caminho senão a disposição, a reflexão e a verdade.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Umas Verdades.

Talvez estas declarações soem agressivas.

Mas é imprescindível ter em mente que são apenas palavras e palavras nunca são mais fortes ou graves do que os fatos.

Com o passar do tempo e muita introspecção, você verá que não é o que eu digo, mas o que você mesmo faz que te agride.

Espero que desta vez, com maturidade, você baixe a guarda para ver que o objetivo não é te julgar, mas que se dê conta do que faz, mesmo sem ter intenção. Se se sentes mal com o que digo, talvez seja porque você, na verdade, se sinta mal com o que faz.

Ou seja: o problema não é o que eu digo, mas o que você faz.

A ignorância não é uma benção.

Ao contrário do que disse o desertor no filme Matrix.

O fato de eu falar a verdade sobre o que você faz não me torna uma pessoa ruim, mas a sua mudança de comportamento a partir dos fatos pode te fazer uma pessoa melhor... E mais feliz.

Não sou a dona da verdade e o que digo são reflexões profundas sobre as coisas que acontecem, independente da minha vontade e da sua intenção.

Sei que você não é mau. Mas somente não praticar o mal e amor seus consangüíneos não te fazem uma pessoa boa. Não confunda comum com bom. Ser bondoso é antes de qualquer coisa, refletir sobre tudo. Não praticar uma caridade barata como dar esmola para manter vivo o eterno pedinte. Ser bondoso é tomar atitudes nobres. Ser ativo a respeito dos ideais que tiver. Se bem que a maioria sequer possui ideais.... Infelizmente ideal é uma profunda sofisticação da consciência.

Você tem tudo para ser e fazer feliz. Tem autonomia, tem poder, tem liberdade e - até o sofisticado – livre arbítrio. Isto não te foi dado de graça apenas para satisfação pessoal. Esta não é a hora do recreio, mas a hora da aula. Podemos nos divertir enquanto aprendemos. Só depende de como vemos as coisas.

Sei exatamente como você se sente.

Eu também me sinto o que você sente. Somos feitos da mesma massa! Tenho preguiça, raiva, egoísmo, irritação, revolta. Estou despertando, junto com você, deste sono tentador chamado ilusão.

A única e sutil diferença é que comecei a pensar. E não parei mais. Estou buscando me informar e decidi me melhorar para melhorar o mundo. Definitivamente.

Todos temos nossos momentos. Todos temos algum desequilíbrio. Nossa maior missão é nos centrar e trabalhar pelo que for digno trabalhar.

Somos igualmente importantes. Nós, os animais, as plantas. Ninguém é mais para a força criadora. E não posso deixar de te dizer que este texto – dentre tantos escritos hoje – foi escrito pra você. Porque alguém em algum lugar acredita em ti.

Não espere a evolução mecânica.

Faça acontecer.

O conto de fadas acabou.

Agora você sabe.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Por que Ecovila Vegetariana?

De uma maneira geral, percebemos que quase todo mundo que idealiza e pretende seriamente ajudar a nascer uma ecovila entende que comer animais não é um estágio definitivo, mas transitório do qual ainda não conseguiu se libertar.

Enxergar isto já é louvável visto que a massa sequer pára para pensar nisso...Porém a massa não deve permanecer se o mundo melhorar.

Mas ninguém em sã consciência pode dizer que vegetarianismo e morar em ecovila não tem nada a ver.

Esta é uma situação que muito me preocupa, pois pretendo amar verdadeiramente e compartilhar o resto de minha vida com as pessoas desta comunidade em que formos viver.

E antes que digam que não posso interferir no livre arbítrio de ninguém, informo que é justamente por não querer intervir na vida de ninguém, inclusive na de um animal inocente, que eu não como carne de espécie alguma. E me sinto na obrigação de ajudar outras pessoas que ainda não descobriram isto.

Isto não faz de mim melhor do que os outros, mas faz de mim melhor do que eu mesma seria se permanecesse com o prazer impensado e ilógico de me alimentar de animais mortos.

Com a ecovila, pretendo reencontrar meus irmãos de alma, ter a família que sempre sonhei, ainda que de forma diferente da tradicional, mas com os princípios básicos da felicidade entre nós: amor fraterno e incondicional, respeito integral e ética diante de qualquer coisa, incluindo a natureza.

Tenho certza de que minha família cósmica só será capaz de fazer o bem, jamais de depredar o que é perfeito, atraindo para si mais karmas, como é o caso do carnivorismo.

Como pretendemos passar o resto de nossas vidas juntos, compreendendo que comer carne é um hábito desnecessário, nocivo para si e para o mundo, acredito que todos devam pelo menos pensar seriamente a respeito.

Final, se não vamos ter armas para não baixar a nossa vibração, também não poderemos contribuir com a morte... Mesmo que seja de seres que – não sei porquê – julgamos inferiores. Eles estarão ao nosso lado para os ajudarmos para evoluir, não para usá-los.

Pensando em transição, em deixar o sistema, é importante termos em mente que a ecovila não é uma casa de veraneio nem um local tranqüilo para simplesmente mudarmos da cidade para o campo, mantendo os mesmos hábitos. Serão vários hábitos que precisaremos mudar. Mas aí cada um deve refletir sobre tudo que pensa e faz, procurar as respostas e fazer o que é certo, mesmo que não tenha ninguém olhando. Isto se chama ética.

Para a ecovila dar certo hoje e sempre, temos que estar cientes de que não é só o planeta que mudará, mas nós principalmente. Aliás, não vejo outra razão para a transição senão o despertar individual e coletivo e começar a evolução do zero, mas desta vez com consciência. Esta é a coisa mais importante de tudo.

Então por favor, não digam que devemos respeitar os hábitos de cada um, porque não é esta a questão. Temos que respeitar as pessoas, mas não necessariamente os hábitos ruins. Podemos interferir positivamente na vida dos outros, aliás fazemos isto o tempo todo. O produtivo é fazer isto com informação correta e doçura.

E me perdoe quem acha que estou “atropelando os bois”! Mas é que só enquanto escrevi este texto, milhares de mamíferos e aves morreram e agonia só para que o hábito carnívotro desnecessário fosse sustentado. É muito difícil, conhecendo a verdade, fingir que o mal não está acontecendo o tempo inteiro.

Não dá para falar em paz mundial, criando gado de corte.

E para quem até o momento está resistente a isto ou não se convenceu de que ecovila e respeito à vida são coisas completamente integradas, peço que procure na Internet vídeos de condições de “vida” e abate dos animais que o universo nos confiou para cuidar. Se nada mudar no coração, então é porque comer carne é certo..

Nós não possuímos o mundo, nós apenas pertencemos a ele.

sábado, 19 de setembro de 2009

Está acontecendo

Tem alguma coisa acontecendo assustadoramente rápido de uns tempos para cá.

Não sei definir direito o que ou como. Mas as pistas levam à certeza de que é grande e será logo. Mas este sentimento não é compartilhado pela maioria.

E não é só a rapidez que chama a atenção. A quantidade de informação realmente relevante e de pessoas completamente diferentes da maioria e semelhantes entre si que tem aparecido não podem ser explicada simplesmente por coincidência. Não mesmo.

Parece que a coisa começou a acontecer deslanchar em 2005, mas ainda de forma discreta. Porém, de uns meses pra cá, está muito claro que estão acontecendo (re) encontros e uniões por algum motivo.

Muita gente está certa de que o orkut não serve para nada além de reencontrar amigos de infância ou fuxicar a vida dos outros. Recentemente descobri a maior utilidade dele: ser um instrumento para a reunião de pessoas afins... E bem diferentes do “padrão”.

Podem dizer que sou preconceituosa. Mas não é pré-conceito. São conceitos muito bem pensados sobre uma humanidade que não leva em consideração nada que não seja seu próprio umbigo e até para fazer bem, habitualmente faz errado. E infelizmente o que predomina no planeta hoje é mesmo egoísmo, acomodação e vaidade. E não fui eu que inventei isso.

Estas pessoas as quais menciono são sempre pessoas de muita coragem, em busca de informação e transformação, têm um amor incomum pela humanidade e pela natureza, quase sempre são vegetarianas por ética, não toleram desrespeito, trabalham de alguma forma por um mundo melhor e já pensam sobre a transição e nota-se a energia de longe. Boa energia...

E não tem sido difícil percebê-las, porque a maior parte das pessoas é igual. Estes se destacam naturalmente. É um grato momento, quando identificamos um.
E nos reconhecemos de cara.

Sim, alguma coisa está acontecendo diante de nossos olhos. Em muito pouco tempo, em minha vida - por exemplo - aconteceram várias coisas surpreendentes, sempre com um sentimento bom.

Porém não são todos que têm tido esta sensação. A humanidade dorme em sua matrix sob medida e não possui nenhum interesse em qualquer coisa que obrigue a pensar. É como se a ignorância fosse uma benção. Como se na ignorância, não existisse responsabilidade ou culpa.

A ilusão ou a ocupação da mente com qualquer passatempo distrai a massa, impedindo que mais pessoas despertem. Acordar deste pesadelo, que é a mentira na qual vivemos, é um ato corajoso, nobre, porem solitário. Não é fácil, mas é o único caminho para a verdadeira liberdade.

“Conheceis a liberdade e ela vos libertará”.
Não tem outro jeito. Não tenha medo algum. O que vem é bom.
E obrigada, meus irmãos, por fazerem parte disso.

A melhor coisa disso tudo foi encontrar vocês.
E me reencontrar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Transição Planetária

Todo mundo acha uma loucura a história de transição planetária.
Realmente é muito mais “seguro” – do ponto de vista da acomodação - crer que isto é uma loucura do que ter o trabalho de compreender os sinais e enxergar a lógica que há em tudo que está acontecendo.

Já houve um bom chute de que a transição ocorreria em 99. Hoje, fala-se muito em 2012, devido às profecias Maias, principalmente. A verdade é que temos apenas bons chutes, mas ninguém nunca teve certeza sobre quando as coisas vão acontecer.

Isto não deveria ser uma preocupação se todos estivessem apenas preocupados em praticar o bem genuíno.

Outro grande mistério é o “como” acontecerá. Há a corrente que aposta em mega Tsunami, o que poderia ser causado por um corpo celeste vindo de encontro com a Terra. Mas como fala-se em dizimação de 90% da espécie humana, Tsunames só atingiriam populações costeiras.

Outra teoria é a do Planeta X, Nibiru ou Planeta Chupão. O campo magnético de um interferiria no outro, provocando imensuráveis mudanças. Terremotos, maremotos, etc.

A questão do aquecimento global também é muito séria. E o pior, provocada por cada um de nós. As geleiras acabarão em dezembro de 2012... Supostamente mês e ano proposto pelos Maias há milhares de anos.

Em particular, dentro das opções conhecidas, a mudança magnética dos pólos que parece ocorrer de forma cíclica, de milhares em milhares de anos, seria uma possibilidade interessante. O que é terra viraria mar e o que é mar viraria terra. Faz sentido.

Se houver seleção, há duas opções: sorte e merecimento.
Como não existe sorte, é melhor fazer por merecer.

Bondade é popularmente confundida com distribuição de esmola. Mas só os verdadeiramente puros de coração com disposição poderiam reconstruir um mundo melhor. Preguiça, egoísmo e fraqueza não existirão mais.

O merecimento vem através do trabalho, da reflexão e naturalmente da ampliação da consciência. Amas ao próximo como a si mesmo. Todos os próximos, não só os “próximos” selecionados por laços consangüíneos...

Absolutamente ninguém que esteja adormecido em sua vaidade e egoísmo permanecerá. Quem estiver dormindo continuará dormindo, mas em outro lugar.

A teoria da transição planetária faz parte de uma lógica de subsistência do planeta. Do jeito que poluímos, ou este organismo vivo chamado Terra destrói o câncer que a humanidade se tornou ou esta civilização destrói a Terra.

Acabar com o que faz mal não é bom nem mau, mas autodefesa!

Contudo, há pessoas que respeitam a vida da Terra e isso faz crer que ambos podemos viver em harmonia – gente e mundo.

Somente a parte amadurecida humanidade faz bem para o planeta e é esta que ela escolheu para ficar. Fazer parte dela só depende de cada um.

Há 500 anos, quando este país foi “descoberto” existiam rios transparentes por toda parte, árvores em qualquer lugar, animais que nem chegamos a catalogar...

Hoje, sequer temos condição psicológica de abandonar o hábito de comer animais, que dirá respeitar as águas, a vegetação, a harmonia da natureza. Só deixamos em paz o que não nos provoque qualquer incômodo. “Desde que eu tenha tudo o que desejo, preservo a natureza”.

Claro que podemos viver em paz com nossa casa. Mas não temos tido respeito e cuidado com nossa bela morada e isso fez com que houvesse necessidade de uma reformulação da forma de viver... Tudo acontecerá para o nosso bem.

Como este pobre planeta poderia continuar a nos tolerar? Seria ingenuidade e até falta de fé imaginar que tudo será sempre assim. Nós nos reproduzindo desenfreadamente, consumindo, escravizando e usando... Falando de uma ética que só vale para os iguais... Roubando, trapaceando, enganando e destruindo uns aos outros e ao mundo todo... O que te faz pensar que isso não terá um fim?

É óbvio demais que algo está por acontecer. Certeza ninguém têm. Mas o sentimento de mudança é muito forte e ignorar isto é ingenuidade.

De qualquer forma, as escolhas de destino e caráter são nossas. Pessoal e intransferível como senha de banco. Somos a única espécie que possui a certeza da própria morte e consegue conviver com esta certeza. Sermos capazes de fazer cálculos complexos e construir bombas nos torna inteligentes, mas não sábios.

A sabedoria é fruto de trabalho, dedicação, meditação e introspecção.
Hoje, o trabalho que há é para despertar mais rapidamente os que estão quase acordando. Mas o fato é que já não há mais tanto tempo para “um passo de cada vez”.

Esta transição poderá trazer uma grande tragédia, mas nada é somente ruim...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Eu torci...

Ontem, pela primeira vez na vida, fui a um rodeio.
Decidi me aprofundar na superficialidade da “festa” que acontecia...
Enfim, desta vez fui para enxergar o “espetáculo” do qual sempre falavam.

Se o homem teve um passado carniceiro, eu não nego. Eu sequer critico, porque entendo as circunstâncias e a falta de massa encefálica – Se bem que questiono se em algumas cabeças a massa extra ajudou muito. Sinceramente, há de se compreender nossos atos do passado.

Mas se esses 10 milênios de evolução serviram para alguma coisa, foram para dar ao homem algum requinte.

E usamos esta “sofisticação” para continuar a comer animais... Bilhões de neurônios a mais apenas para comê-los de garfo e faca...

Então me vi numa arena como nos filmes – ou quem sabe alguma reminiscência. Vi o gladiador, temi a fera, escutei o público delirar com o show de horrores. Eu apenas sentia claramente o caos.

Anos de evolução para trepar num touro enfurecido por choque elétrico e cair segundos depois, correndo o risco de passar o resto da vida se arrependendo numa cama...

E tem gente que chama isso de inteligência...
Einstein deve se revirar no caixão...

E no meio daquela passagem medievalmente limitada, me peguei numa vibração bem diferente de toda a multidão. Tive medo pela quantidade de almas juntadas ali para coisa alguma. Álcool, sexo, divertimento e mais nada.

Estava sóbria, lúcida. Permaneci com minha consciência mesmo meio ao teatro caótico. E tive pena de uma humanidade tão atrasada. Sem objetivo, sem ética, sem valor.

Tive pena também dos touros, torturados diariamente. Não só pelos choques ou pelos testículos amarrados. Mas pelo barulho, pelas luzes, pelas viagens, pela privação de espaço, pelo uso de seu corpo e até pela humilhação que nem mesmo ele tem consciência... Senti vergonha por ser humana.

Fiquei triste por fazer parte da espécie que deveria tutelar os menos evoluídos, mas também feliz por não fazer parte daquilo.

Enquanto assistia o lamentável “show”, a fera arremessou o homem com polegar opositor e tudo a 3 metros de distância e ele ali permaneceu até ser retirado pelos paramédicos.

Todos aplaudiam de pé o peão saindo carregado e eu não entendi coisa alguma. Eu pensava “O boi ganhou! É ele que merece palmas!”.

Foi então que percebi minha gafe... Torci para a fera, torci para o fraco... Eu torci para o boi!...

sábado, 12 de setembro de 2009

Respeito aos Carnívoros

Em homenagem e justiça aqueles que se sentem encurralados, culpados e com a consciência pesada toda vez que um vegetariano insensível fala sobre o sofrimento animal, me comprometo e peço aos outros vegetarianos por ética que deixem estes princípios de respeito incondicional de lado para que todos nós comedores ou não de animais vivamos em harmonia.

E vou além, peço desculpas a todos os carnívoros por tê-los informado que bife não é fruta, que não existe filé sem sofrimento e principalmente por ter levantado levianamente a questão de que os apelidos (dobradinha, lingüiça e mocotó) ou o diminutivo não diminuem a trajetória de dor até seu prato.

Em nome dos vegetarianos, posso dizer que nos envergonhamos por termos discutido com carnívoros sobre coisas que ninguém deveria pensar: tipo a dor alheia.

Afinal todos sabemos que é o prazer humano que importa e nós vegetarianos, temos a obrigação de respeitar os carnívoros assim como eles respeitam os animais que usam e comem.

Peço perdão sim, porque o importante é que todos nós, humanos (apenas humanos), nos demos bem. Tanto é que todos os líderes religiosos e profetas nunca levaram os bichinhos tão em consideração assim, então por que nós, pobres mortais, levaríamos?

Vamos viver em paz. Vamos respeitar as pessoas, façam o que fizerem sem peso na consciência. Enfim, cada um deve fazer o que se sente bem fazendo. Proponho também que respeitemos incondicionalmente e deixemos viverem sossegados os políticos corruptos, seqüestradores, os estupradores e as seitas que fazem sacrifícios. Afinal todos pagamos nossos impostos e temos direitos.

Além do mais, desviar verba é um crime muito mais grave do que matar pra comer...
E o que todo mundo entende como “moral, não deve ser discutido.

Pela igualdade, vamos viver todos em comunhão. Se precisar, comeremos até um churrasquinho inocente para provar que estamos arrependidos de nossa prepotência em proteger os animais quando ainda há tanta crianças com fome no mundo. Coisa que nós vegetarianos temos a maior culpa...

Quer comer? Coma! Quer maltratar, maltrate! Enfim é a lei da selva! Vamos apenas viver em paz! Paz dentro da “lei da selva”.

O bem não é o mesmo que não praticar o mal

Eu poderia ser mais boazinha com as pessoas e escrever sobre coisas bobas que não agridam os hábitos de ninguém, mas não sou assim... É mais forte do que eu.

Então vamos lá.

Não se pode achar que nos livramos do problema, apenas porque paramos de fazer o mal. O bem não é o mesmo que não praticar o mal.
E o vegetariano ético não se basta por não comer animais...

Se tornar vegetariano não é um luxo. Não é uma opção como fazer parte de uma tribo ou usar o cabelo diferente. Não comer animais é - obvio - uma obrigação que infelizmente só se compreende com a sofisticação da sensibilidade. Poderia ser espontâneo, poderia ser tão simples... Mas diga-se de passagem, se fosse proporcional à “inteligência”, seria natural...

Ser vegetariano é o mínimo de respeito que se pode ter pela vida. Qualquer vida.

Porém os problemas não estão resolvidos quando deixamos toda a cultura cruel na qual fomos imersos pra lá e decidimos parar de comer animais.

Ok, a maior parte não está nem aí para o vizinho, que dirá para um não-humano automaticamente subjugado. E é óbvio que a compaixão pelos animais é um sentimento avançado. Não contribuir com esta matança é uma grande coisa sim. Só que o vegetariano não deve ser autolimitado e se bastar.

É preciso pensar e trabalhar para que acabem as injustiças. E interferir sim na órbita alheia, quando a órbita alheia interrompe irracional e prejudicialmente outras órbitas...

Não digo que não seja necessário lutar pelos direitos humanos, pelo contrário. A questão é como acabar com o nosso próprio sofrimento enquanto provocamos tamanho sofrimento em outros?... Ou é justo maltratar tudo o que não é humano? A ignorância ou uma boa desculpa lhe garantem a absolvição?

Nem todas as tradições são boas. Na verdade muito poucas. Comer carne não é natural nem bom, mas é comum e gostoso. E é tão difícil alguém compreender a atitude danosa que é - em todos os aspectos - se alimentar do sofrimento alheio - mesmo quando o sofredor não é humano... “Ai daquele que se atrever a interferir nos meus hábitos, ainda que eles sejam claramente ruins”...

Se não somos capazes de matar, se não somos sequer capazes de assistir uma vez a um vídeo sobre a morte que causamos diariamente, como dizer sem culpa que “comer carne é necessário”?

Não. Você nasceu sabendo que matar e torturar é sempre errado. E quando aprendeu isto, ainda não distinguia espécies. Matar é errado em qualquer circunstância e isso é tudo.

Abrir mão de prazeres é um desafio. E é isso que torna este ato uma vitória pessoal constante, uma ampliação de consciência e o faz dormir sem culpa “eu não contribuo com isto”...

Cada vez que abre mão, você se eleva. Essa é uma certeza que só vem com o tempo. E daqui a uns anos você também vai estar se perguntando o que passa na cabeça das pessoas que pagam para matar para comer. Vai se sentir perdido num mundo egoísta, irreflexivo e injusto. Como eu.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ser Diferente

É um grande – e convincente – clichê dizer que todo mundo é diferente. Na verdade, todos somos diferentes sim, mas a maior parte é um “diferente muito comum”...

As pessoas pouco se diferem em comportamento e pensamento umas das outras. Observe.

Todos pensam igual em quase tudo. Há pouca gente disposta a arriscar seu mundinho fechado por novos horizontes. Deixar de ser igual, é diferente do que todos esperam de nós.

Nas coisas que realmente importam são todos idênticos. Sem surpresas.

Normalmente escuto dizerem que sou toda diferente.
Diferente porque tento ser sempre espontânea, ética, original, sensível e justa.

É engraçado ver que exatamente nas qualidades que deveriam ser comuns, eu seja “tão incomum”.

Sou diferente porque coloco meus ideais acima dos meus prazeres. Diferente, porque levo a sério as coisas em que acredito. Diferente, porque abro mão do supérfluo, do tradicional, do habitual. Em troca disto, escuto constantes piadas dos que não estão preparados usando a mais primitiva estratégia de defesa: o ataque.

Confesso que as vezes ainda machuca ver quem não tem o que dizer, falando asneiras sobre questões tão sérias. O Humanismo é posto de lado, em nome do consumismo, da vaidade, do egoísmo ou de qualquer pecado capital. “O que importa é se eu – e os meus - estou bem, satisfazendo todas as minhas necessidades. O resto é resto.”
Eu poderia passar meus finais de semana na cervejinha, churrasco e pagode, mas ao invés disso, trabalho nas poucas horas de folga, estudando, apliando consciência, ou simplesmente despertando outros seres humanos.

Enquanto houver este pensamento coletivo, adolescentes continuarão a arrastar crianças presas no cinto do carro, pais continuarão a atirar filhos pela janela, idosos serão maltratados, haverá fome, dor, guerra, miséria e caos.

Não adianta achar que quero o bem e que sou bonzinho só porque não faço mal e ajudo meus parentes. O plano de saúde não resolverá enquanto não compreender que o mal não existe. Seguros e o medo em geral são falta de fé.
Não fazer o mal é o que se espera. Praticar o bem é que é o desafio.

Amar os filhos, assistir novela, trabalhar honestamente, criticar políticos, querer um mundo melhor, dar esmolas, ser contra pedofilia, chorar no Natal é o que a maioria simplesmente faz. Tudo muito bem aceito e até politicamente “correto”... Mas estas coisas não fazem de você uma pessoa especial, pois especial é o que você tem e faz de diferente.
Difícil é remar contra a maré, mesmo quando estamos cobertos de razão... E paixão.

Se você faz tudo igual a todo mundo, se você não questiona, não raciocina, não reflete, como será diferente de todos eles?

Não seja só mais um.
Mexa-se.

domingo, 9 de agosto de 2009

Um dia diferente

Ao fundo, a - minha - Igreja do Bonfim

Hoje aproveitei a rara oportunidade sem as crianças e fui até Angra, o lugar que tive a honra de me ver crescer, me transformar e ser uma parte importante de quem sou.

Foi um dia de sol, sem uma nuvem no céu, que eu não poderia desperdiçar. Um dia como aqueles das férias de inverno de 20 anos atrás.

Dirigi então 200km para ver a imensidão azul que confunde céu e mar.
Fiz uma surpresa para minha mãe e abracei meu pai. Senti que poderia não ter a mesma chancee ano que vem de vê-lo no Dia dos Pais. Ele merecia ser abraçado.

Almocei a comida da mamãe e fui nadar.
Como num filme de “Sessão da Tarde” dos anos 80, fui criada na praia. Morei - literalmente - na Praia do Bonfim dos 8 aos 17 anos, quando deixei lá uma parte de mim e fui fazer faculdade por causa de um coração partido.
Em frente a esta praia, existe uma pequena ilha com uma igreja centenária. A Ilha da Igrejinha guarda carinhos - e segredos - aparte de todo mundo que ali já viveu. E morreu.

Da praia até a Igrejinha dá uns 200m. Mas, apesar da “correnteza” são 200m diferentes. Com aquela paisagem incrível, a gente costuma enrolar durante a travessia. Para brincar ou admirar. Foi o que fiz.

Planejei por muitos meses, talvez anos, por este momento, a oportunidade de ficar sozinha com a natureza nua. Mergulhei e senti toda aquela água me possuindo novamente. Ah, eu me entreguei àquele mar... E bebi um pouco para garantir que todas as minhas células e tudo o que era eu, recebesse aquela energia.

Sussurrei aquele “ai” manhoso que leva tudo de ruim embora. Dei uma gargalhada de cabeça tombada para trás. Sexy como eu há muito não me sentia. Estava só, estava sendo realmente eu mesma, estava acompanhada de mim. Mais nada.

Eu pisava com o calcanhar, coisa que só quem já andou demais na areia pode observar. Meus dedos apertaram a terra. Como uma criança, mergulhei fundo de cabeça. Depois decidi estender a canga para tomar sol.

Como não havia mais ninguém, pude conversar muito comigo mesma... Em voz alta. Comigo e com quem mais estivesse por perto... Sem um corpo... físico. :]

Deitei na pedra e deixei o sol queimar deliciosamente minha pele cheia de sal, enquanto refletia sobre coisa dizíveis e não dizíveis.

Fiquei ali por uma hora... Até que resolvi andar por cada centímetro daquela ilha, atrás de lembranças ou sentimentos de um momento qualquer da minha eternidade.
E são tantos que não sei por onde começar.

A primeira paixão, os olhares, as palavras, as trocas, os desejos... Meu Deus, eu nem sabia que o coração podia bater tão forte assim. Rubor, ardor e o primeiro sinal de amor.

Na Pitangueira mais bonita e remota da ilha, escrevi meu nome, como há muito já deveria ter feito, estava décadas atrasada. Admirei aquela vista estupidamente generosa e tentei guardar cada detalhe daquela tarde, daquela imagem que tantos sorrisos tranqüilos me trouxeram.

A praia, olhando assim de longe, ainda é a mesma. A cor da água, o brilho que dá o sol no mar, as meninas correndo, os meninos soltando pipa. Parece que o tempo não passou olhando daqui.

Mas quando chego perto, há poucos rostos familiares... Poucos amigos ainda estão por lá. Muito poucos. Uns cresceram demais, outros sumiram, outros minguaram... O mais legal morreu e eu... Eu sinto saudade e escrevo blogs. J

Me despedi de tudo aquilo e voltei pra casa já de noite, escutando rock estrada afora, desejando que todos tenham a vontade e a chance de descobrir a si mesmo através das lembranças das crianças felizes que fomos... E ainda somos.
É uma saudade tão gostosa quanto cruel de se sentir...

A vida muda de tal forma que as coisas tão corriqueiras de ontem se tornam totalmente inacessíveis. Não há mais nada lá senão as lembranças. E lembrança são sempre solitárias.

De tudo, o que mais lamento é não ter agarrado às oportunidades que a vida me deu. De não ter corrido atrás, de ter desistido tão fácil. A falta que aqueles dias fazem me dão a força que preciso para fazer o presente ser mais ainda mais importante, ainda mais marcante, ainda mais inesquecível.... Como aqueles dias de sol foram.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Confissões Muito Pessoais....

Eu confesso, sou uma sonhadora parcial megalomaníaca e dramaticamente humana.
Acredito demais na humanidade, sei que as coisas vão melhorar e tenho fé na vida. Não tenho religião, mas tenho fé.

Não tenho medo do passado... Nem do futuro. Não mais.
Venha o que vier, seja como for.

Não existe o que possa me fazer regredir em meus ideais. Não há como me parar. Aprendi o caminho da evolução e do conhecimento e este é um caminho sem volta.
Eu já sabia disso antes de começar.

Quanto mais procuro, mais descubro, quando mais me aprofundo, mais me satisfaço, quanto mais amo, mais amor eu tenho.

Minha caminhada não é nada fácil. Eu acredito no contrario de tudo aquilo que o sistema apregoa: parto em casa, concepção realmente consciente, vegetarianismo ético, educação de filhos, não medicalização, sexualidade sagrada, terapias alternativas, projeto sério de ecovila, posturas ecológicas e tentativas autossustentáveis... Num mundo onde a regra é a cesárea, a gravidez indesejada, mera perpetuação da espécie, remédios e exames, sexo por sexo, tomografia computadorizada e Tamiflu, pessoas empilhadas em prédios, egoísmo, consumismo e superficialidade.

Mas diante de tanta contra-mão, me sinto cada vez mais centradas, mais apaixonada, mas íntegra, mais a frente. Não acima de você ou de qualquer outra, mas além de mim mesma, porque sinto claramente que extrapolei todos os limites para uma morada na Terra.

Quanto mais trabalho me aparece, quanto mais verdades desvendadas, mais eu mergulho, mais eu me conheço e mais eu me envolvo.

Sim, sou uma solitária. E talvez te conforme dizer que sou uma lunática. Eu sei tudo que você está pensando porque já estive deste lado. E sei que isso é só medo de enfrentar uma enxurrada de batalhas interiores. Realmente não é fácil. Mas não existe outro caminho. Não existe.

E a cada dia, me torno menos solitária, descobrindo que há mais de mim por aí. Gente que não se importa com as conveniências e com as convenções. Que não espera uma evolução mecânica ou a salvação de fora, que coloca seus ideais acima de si próprio, que morreria por uma causa.

Tenho orgulho de fazer parte da minoria que não tem preguiça, que não espera acontecer, porque “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, já dizia Vandré....

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sorte

Dizem que é fácil, para mim, ser feliz quando tenho, do básico, tudo o que se precisa para me sentir assim.

Com filhos saudáveis, um bom trabalho, uma profissão que me realiza, um companheiro alma-gêmea e, modéstia a parte, alguma cultura, seria difícil não ser grata. Mas isso não explicaria porquê algumas pessoas com tudo isto ou mais são tão infelizes.

Mas o que quero dizer é que todos podem ter a vida que desejam. Aliás todos projetam o que acreditam e a vida não passa de um reflexo físico do que nos acostumamos a pensar. Não somos obra do acaso, um encontro de um óvulo e um espermatozóide qualquer, vivendo de uma saga indomável, rumo permanente a sofrimentos “necessários”, único caminho para evolução..

Não...A vida é boa quando a gente decide querer tirar o véu da ignorância. A vida é boa, mas exige reflexão constante.

Somos felizes porque, enquanto o mundo inteiro caga e anda pro lixo, nós separamos, aproveitamos e cuidamos. Temos paz, porque quase todos os nossos amigos vêem o bife no prato, onde nós vemos sofrimento inevitável de um animal subjugado. Somos ansiosos porque enquanto a sociedade olha para o umbigo, nós nos culpamos por não estar fazendo ainda mais por um mundo mais justo. Somos diferentes sim, porque não compreendemos porquê as pessoas, por comodismo ou preguiça, não querem enxergar o nítido, o claro, o óbvio. Não compreendemos mesmo porquê se acomodar quando há tanto a fazer... E porque estamos quase solitários no sentimento de abrir mão, de construir por dentro, de amar. Um amor diferente.

Não acredito em sorte. Acredito em fé, reflexão, consciência e trabalho.

Ninguém disse que seria fácil. Nem que seria ruim. Nós é que complicamos. Mesmo que não pareçamos responsáveis, mesmo que não nos recordemos, existe uma razão para tudo. Senão o Criador seria obrigatoriamente injusto, coisa difícil de acreditar.

A vida não é boazinha – nem mázinha. Ninguém é vitima de um destino incontrolável. O plantio é opcional, a colheita é obrigatória. Porém a mudança é sempre bem vinda. Falta de caráter não é mudar de opinião, mas permanecer inerte, quando tudo implora para progredir.

Então, da próxima vez que pensar na felicidade de alguém, pense também sobre o que pode fazer para ser também.

Comece agora... Colocando um belo e inesperado sorriso nos lábios....
:)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Saudade de verdade

Pablo, Hebert, Priscilla, Renata, Gugu e eu...

Para estas palavras melosas façam algum sentido, escuteenquanto lê http://www.youtube.com/watch?v=s2XzoA94Zws
Guardo comigo lembranças que somente quem cresceu numa praia simples do interior, com o tipo de amigos que tive, nos anos 80 e 90, pode ter...

Eu tento não pensar a respeito para não sentir a justa saudade daquelas tardes de sol, no verão ou no inverno – tanto faz, em que meus olhos brilhavam ainda com inocência... E também com a pureza que não perdi.

Lembro dos amigos, daqueles púberes rostos, indefesos, cheios de dúvida e vida... Ou de achismo. Não recordo dos fatos, mas com nitidez tenho as sensações.

Daquela apaixonada irremediável, daquela menina sonhadora restou uma mulher idealista da qual tenho um genuíno orgulho.

É impossível não ser um pouco nostálgica com tantas boas lembranças. Tento não exagerar, curtindo o que a vida me trouxe de bom. Mas só e estes amigos especiais sabem do que estou falando... E só eu sei a profundidade do que senti. Os amigos que ganhei e que perdi... A esperança insistente de revê-los, de abraçar apertado, de olhar no fundo da alma e dizer “que bom que te reencontrei”.

Poucas crianças sabem o que é não ter medo de ir com um bando de amigos para o fundo do mar... Mergulhar onde ninguém pode nos ver... Brincar de pique na água... Enamorar no mar. Dormir na praia, fazer luau, acampar, contar história de terror de madrugada, bater papo até amanhecer... Com recursos mínimos, vivemos o máximo. Como eu poderia dizer que isso não me faz alguma falta?...

É claro que hoje, tenho outras coisas. A inocência deu lugar à força; os sonhos às realidades; a paixão ao amor; a menina à mulher. Ganhei muito mais do que perdi, não posso me queixar.

Isso não significa que eu tenha me conformado, mas que sei reconhecer a importância de cada tempo... Que lembro com o coração apertado, mas que sei superar.

Ainda tenho muito da menina, não posso negar. Porém sou infinitamente mais feliz que ela. E sempre sobrará espaço para um questionamento: quem eu teria sido se soubesse das coisas que sei hoje?

Esta é uma pergunta que ficará sem resposta. Sou grata pelo que tive, mesmo não tendo sido perfeito. Talvez eu quisesse voltar no tempo por alguns instantes impagáveis... Uma batida de coração forte qualquer, um olhar inesperado e profundo, o ápice de um sentimento que jamais se repetira...

Mas não queria permanecer lá. Gosto da vida que tenho e não trocaria os meus 30 por nenhum outro 15. E eu sei o que estou dizendo.

Evito pensar demais, evito me envolver, mas não posso deixar de desejar que meus filhos tenham os amigos ou a liberdade que tive e pelo menos a metade da intensidade com que vivi.

De tempos em tempos, eu preciso retornar a esta praia na qual cresci, rever algumas daquelas pessoas que me ajudaram a ser quem sou, deixar as lembranças reinarem por alguns instantes, sentar naquela doce areia, deixar meus sentidos perceberem a delícia de estar viva.

Enterro meus pés, molho meu rosto e olho o horizonte. Então só eu e o mar sabemos a ligação que temos, o que queremos dizer e o que sentimos.

Sigo minha vida paralela, quase como se fosse outra pessoa, mas de vez em sempre preciso voltar para saber exatamente quem sou... Lá no fundo.

E se não for em corpo, os sonhos indiscutivelmente me levam assim que adormeço.

Mas pro favor, Dèbussy, fique comigo esta noite. Porque a saudade daquelas tardes é tão grande que chega dar vontade de chorar :.{

sábado, 4 de julho de 2009

Benjamin Button

É interessante como as verdadeiras obras de arte podem fazer com nossas emoções...

Como cinéfila amadora que sou, corri atrás de assistir “O curioso caso de Benjamim Button” e comecei a divagar sobre o que o autor propõe.

Brad Pitt surpreendentemente deu um show. Me emocionou profundamente e chegou a uma excelência que, confesso, jamais imaginaria.
Cate Blanchett tudo bem, porque já sabemos que ela é e ela, perto dele, somente não decepcionou. Fez o que se esperava dela: sutilmente magistral!

Benjamin nasceu na contra-mão. Veio ao mundo um velho de 80 anos e rejuvenescia a cada dia. Abandonado pelo pai na porta de um asilo, foi cuidado por uma jovem mulher negra que não podia ter filhos. O corpo torto lentamente dava lugar às costas eretas; a cadeira de rodas foi substituída pelas pernas; da calvície surgiam cabelos brancos e em seguida, fios dourados como ouro; rugas tornaram-se pele macia; o velho amanhecia todos os dias mais moço, se tornando aquele que é um dos homens mais belos que pisou neste mundo.

Paradoxalmente ele rejuvenescia, enquanto via todos morrerem.

No inicio da adolescência, aparentemente um idoso, ele conhece a moça que será seu grande amor, Daisy. O encontro amoroso naquele momento era impossível devido às circunstancias, mas a afinidade não. O casal se reencontrou algumas vezes na juventude, até que mais tarde, na metade da vida de ambos, vivem um lindo amor.
Aquele exato tipo de amor que nós mulheres sonhamos ter em tenra idade...

E este amor gera uma menina que Benjamim teme ser como ele, mas ela puxa a mãe e nasce bebê.

O problema é que Benjamim continua a remoçar fisicamente, enquanto Daisy envelhece. E enfim o rapaz decide partir para que a amada não o veja se tornar uma criança, criando-o junto com a filha.

Já no fim do filme, ele é encontrado perdido e vai parar nas mãos de Daisy que cuida da criança, vendo-o diariamente perder as habilidades e até a memória. Benjamim desaprende a andar, volta a mamar, até que numa noite, já um recém-nascido, no colo de Daisy, o bebê olha firme nos olhos da amada, reconhecendo-a perfeitamente...
E morre.

Aquele excelente roteiro me faz pensar em quem somos, o que nos tornamos e o que sentimos conforme o tempo passa.

No auge dos meus 30, jovem demais para uns e velha demais para outros, me pego freqüentemente refletindo sobre isso. O que significam as rugas? Benjamim amadurece à medida que sua beleza emerge, mas, com todos nós, é o contrário que ocorre.

O que acontecia com ele por fora é o que nos acontece por dentro. Com o tempo, ficamos mais sensíveis, mais compreensivos, mais sábios, mais bonitos. Trocamos a irresponsabilidade pelo compromisso, o egoísmo pelos filhos, a liberdade pelo alguém para amar. Ao invés de nossos corpos acompanharem esta plenitude, eles degradam.

Aquele recém-nascido moribundo nos braços da idosa havia vivido muito mais que qualquer um de nós. Ainda sim, conservava a aparência adorável de um bebê.

Benjamim queria envelhecer também por fora e não conseguia frear seu “relógio anti-horário”. Mas todos gostaríamos de nos sentir cada vez mais viris e hábeis fisicamente conforme nossas mentes se ampliassem com a maturidade.

Será que Deus estava equivocado? Será que não pensou nisso?
Ou será que nós é que entendemos tudo errado?

Bom, eu não tenho estas respostas. O que sei é que deve existir alguma razão no descompasso evolução física e espiritual que justifique serem as coisas como são.

Termino por aqui intrigada, cheia de divagações no coração, pensando no tipo de maturidade terei. Não há muito a fazer senão crescer, amar, trabalhar e refletir.

Por dentro me sinto cada vez mais menina e por fora, cada vez mais mulher. O “Sr Botão” desabrochando não conseguiu me explicar isto...
De qualquer forma, sinto que preciso, como Daisy, sussurrar: “Boa noite, Benjamim”.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

“Vós Sois Deuses”

Acredito que deva-se sempre desejar, exigir e aceitar da vida o melhor. Não aceite nada abaixo do que merece. Se Podemos ter o melhor, não há porquê se contentar com o pior.

Mas de vez em quando, precisamos tomar um sacode da vida para valorizar o que temos.
Minha profissão me traz a vantagem de viver um pouco da vida de outras, de crescer pessoalmente, mas traz também o fardo de saber que o mundo não é cor-de-rosa para todos... Às vezes nem preto e branco.

Vivo com estas pessoas dramas que antes apenas lia a respeito ou via como algo distante. E muitas vezes ainda duvido que tanta maldade possa estar acontecendo ao meu redor.

São tantos defeitos graves, tantas humilhações e feridas que provocamos uns nos outros... Assim nem parece que somos irmãos, frutos de uma mesma coisa.

Sendo você espertalhão e o outro bobo, isto não te dá o direito de se aproveitar. Só precisamos de trancas nas portas porque não confiamos uns nos outros. Mas viemos do mesmo lugar, somos irmãos e irmãos não podem viver assim.

Temos tudo em nossas mãos, mas optamos pelo egoísmo, pela incerteza, pelo comodismo. É o reino do “eu” e do “meu”, onde nada mais importa.

Em detrimento de toda plenitude que poderíamos ter, vieram a falta de dignidade, amor próprio, sanidade, respeito, sanidade e de qualquer coisa que se pareça com “vida em abundancia”.

Está muito claro que este mundo como é, está prestes a terminar. Não só do ponto de vista espiritual quanto material. Vejo uma nova humanidade renascer das cinzas deste inferno criado. O desespero, o medo e a maldades serão o adubo da perfeição.

Enquanto isso, carrego na alma a dor de saber demais. Saber demais sobre vidas que não são a minha. A dor de não poder mudar o passado. A dor de guardar segredo. A dor de sentir solitariamente experiências que nem são minhas. A dor de compreender profundamente a razão do mundo estar assim. O ciclo de sofrimento, karma atrás de karma, quando podemos evoluir pelo bem e não pelo caos.

Ao terminar de escutar aquelas historias que fazem me sentir uma princesa pela vida que tenho, olho no fundo dos olhos dessas pessoas e divago em silêncio sobre quanta gratidão tenho obrigação de guardar e emanar. Porque com todas as dificuldades que tive, jamais sofri um milionésimo dos traumas que estas pessoas sofreram.

Posso dizer que o sofrimento é tanto, que a morte menos desgosto do que a vida em miséria. Mas a estas pessoas, não foram dadas opções.

Cresci num lar com problemas como tantos outros, mas tive proteção, família e o básico material. Sem luxos e com liberdade.

Neste mundo, quem tem isso já é realeza.
Mas logo a felicidade será a rotina. Poderemos fazer o que quisermos porque só o bem será possível. Nada mais.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Os Donos do Planeta

Muito pouca gente se sensibilizou para esta filosofia de vida, por isso, falar sobre vegetarianismo nunca é demais, ainda não foi o suficiente.

Dizem que é apelação mostrar cenas de abates. Não existe ironia maior. Comer pode, ou seja, pagar para matar é aceitável e até ético, mas mostrar é imoral? Qual é o princípio que norteia esta idéia?



Os humanos são acomodados e convenientes. Quem liga para a ética quando somos “os donos” do planeta e da vida?

Ser vegetariano é muito mais do que uma opção de vida. É muito mais do que querer ser diferente, é SER diferente. Mas não é proposital, é uma conseqüência.

Quando abrimos mão da carne por respeito aos animais, isso significa que o respeito ao ser humano é um desafio superado.

Nossas vidas não vão melhorar enquanto reinar esta negligencia desenfreada sobre tudo que está ao nosso redor. Somos os pastores do planeta. Ou deveríamos ser. A inteligência sobre os outros foi dada com intuito de cuidar e orientar, mas nosso egoísmo crônico quer se convencer de que o mundo nos foi dado para ser usado... Sem zelo, sem respeito, sem reflexão, sem cuidado, sem amor.

O pouco caso vai tão longe que muitas pessoas nem param pra pensar, simplesmente estão no piloto automático... Não se criticam, não se avaliam, não pensam sobre nada além do que querem para si mesmo. O mundo que se dane.

Nem todos dirão este absurdo, mas o praticam o tempo todo... Quando não dão atenção ao que desejam, quando não querem saber a verdade, quando desperdiçam, quando não pensam em nada nem ninguém alem de seus consangüíneos ou nada além dos limites de sua propriedade.

Nossa casa é o mundo. Nossos irmãos são todos que o compartilham.
Por este motivo, os animais na devem ser tratado como objetos, comidos, reaproveitados, reproduzidos, transferidos de um lugar para o outro de acordo com nossas necessidades injustificadas...

A alimentação vegetariana deveria ser um assunto encerrado. A ética deveria valer para todos. No entanto, damos cabeçadas para compreender o porquê de tantas guerras, tantos estupros, tantas mortes desnecessárias.

O amor deveria ser incondicional. Cada ser deste planeta merece nosso amor e respeito. Comece já a fazer a revolução, porque ela começa dentro de você.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Construindo o Mundo Melhor

O bem comum não pode estar abaixo de interesses pessoais, sempre egoístas e intransigentes.

O mundo não precisa de mais “self”. Aliás foi ele que nos trouxe até aqui. Mas que potencial este planeta teria se cada um usasse suas habilidades individuais a serviço do bem, simplesmente....

O certo e o errado não são relativos como gostamos de pensar. O certo e o errado obedecem uma lógica. E a única forma de “diagnosticá-los” é a observação sincera dos resultados.

O egoísmo e o protecionismo nos trouxeram ao caos. E o mais assustador é que nossa sociedade está presa a este ciclo egoísmo-inércia-violência.

Não é possível acreditar que é esta a humanidade que vai permanecer...

Não. Acabou o clichê “Um passo de cada vez”. Tudo tem seu tempo, mas já passou tempo demais desde inventamos isso. Fomos a fundo no desgaste, no desperdício, no pouco caso, no abuso de tudo que nos foi concedido usar e cuidar. Comprometemos até mesmo nosso futuro em troca de prazer momentâneo, irracional. Passamos pelo absurdo e chegamos ao cúmulo. Tempo é um luxo que não temos mais.

Exagero? Não é o que as evidencias mostram. Os sinais estão claros e ficar de braços cruzados cheios de boas intenções não vai resolver muito. Despertar do sono cômodo e profundo exige atenção diária... Exige sensibilidade, doação, esforço.

Dedicação é a qualidade dos que farão o homo-sapiens-frater: uma nova civilização.

Existe algo no ar e qualquer um que se abrir pode sentir a transformação chegando. Não existe mais espaço para mesquinharias. É a era do amor incondicional, fraternal vindo como a primeira brisa de verão.

terça-feira, 26 de maio de 2009

A Ciência do início de um mundo melhor

Acabei de fazer um curso que valeu por quase todos os outros que fiz na vida.
Ele é sobre a Ciência do início da vida, uma ciência “fundada” por uma psiquiatra junguiana que acredito ser a pessoa mais culta e profunda que já conheci.

Antes eu acreditava que os cursos existiam quase que para um prazer pessoal ou mesmo para sustentar um mercado carente de informações... e de grana. Eu mesma não confiaria muito se alguém me indicasse para um curso com tanta expectativa positiva quanto eu tenho a dar.

Mas é que a questão não é o curso. O curso é só uma forma de passar a idéia, esta sim, revolucionária.

Todas as pessoas deveriam conhecer a CIV. Todas. Crianças, adolescentes, adultos e idosos em todos os cantos do mundo. Deveríamos pensar sobre concepção antes mesmo da primeira relação sexual, pois é a partir de novos seres humanos é que faremos um novo mundo.

Quando vejo as pessoas literalmente procriando ao acaso, muitas vezes sem conhecer o (a) parceiro(a), compreendo mais facilmente porquê o mundo está como está.
Concebidos no funk, no carnaval, em qualquer lugar escuro ou mesmo em público.

Depois chega-se a pensar em “tirar”. E num mundo tão “dinâmico” as gestantes tem gravidezes estressadas, às vezes até esquecem-se de que geram um bebê, uma nova vida... Outras escondem a barriga e carregam a “vergonha” de terem dado esta “bobeira” num momento “não adequado”...

Depois desta gestação mal gestada, simples assim, calculam uma data para a cesárea que não atrapalhe o ritmo de vida. Extrai-se um bebê que julgam não sentir dor nem ter vontades. Este ser humano é colocado num berço frio, sozinho no outro quarto para não ficar manhoso e “ter sua individualidade”.. Dificilmente é amamentado adequadamente por 6 meses exclusivo e complementar até bem depois. Mas acredita-se estar tudo bem, porque tanta gente sobreviveu a isso e está aí...

Quando maiorzinho vai para creche ou pra casa da avó onde aprenderá os valores de outras pessoas, afinal de contas a vida é assim. À esta criança tudo é dado - nada é conquistado... Para suprir o que falta em casa. São amados de longe, porque de perto ninguém tem controle nem paciência.

A escola educa e o psicólogo resolverá estes problemas de abandono familiar e social mais tarde, mas, se não resolver, um dia os pais se perguntarão “onde foi que eu errei?” sem realmente querer saber que estava quase tudo errado desde o princípio.

O amor é dedicação, é construção, é abrir mão. E o principal: fazer tudo isso se sentindo bem, sem cobranças.

Ter filho requer preparo, planejamento, questionamento e auto-conhecimento. A sociedade não pode continuar sendo levado pela maré, ensinando valores deturpados da TV aberta, crescendo consumista, treinando mentes anti-ecológicas para o egoísmo.

Só começaremos a ter um mundo melhor, quando nos dispusermos profunda e sinceramente a isto. Do contrário, continue trancando as portas, pagando seguro e atento a qualquer movimento suspeito, porque a paz não vai chegar.

Não espere amanhã, não reze para o salvador.
A solução para tudo está no conhecimento, no trabalho e na conscientização. Permita que a verdade entre e ela entrará.

A ciência do início da vida trata de como podemos fazer a nova humanidade. As ferramentas para isso são responsabilidade, compromisso, informação e amor. Não este amor clichê por aí, mas o amor fraterno pela humanidade, forte e incondicional.

Muitas coisas acontecerão. A nós, pais, cabe preparar estas crianças entregues à nossa orientação. O mundo como está, não pode ficar. Façamos um bom trabalho, fazendo de potenciais delinqüentes, homens idealistas e fortes.

Nada de mimo, nada de protecionismo: apenas doses certas de apoio, argumentos e amor e o mundo perfeito nascerá.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Respeitar o Outro

Aqueles que comem carne vivem entoando a bandeira de que os vegetarianos TÊM que respeitar quem come carne e a mim resta achar tudo isso muito irônico e contraditório.

Primeiro porque infelizmente não temos o poder de fazer ninguém parar de comer animais. Em segundo lugar porque comer carne não é uma simples opção como andar só de preto ou colecionar papel de carta.

É engraçado mesmo ouvir que os vegetarianos não respeitam os carnívoros. Nós, os “vegetarianos por amor”, respeitamos tanto a vida que abrimos mão da morte na alimentação, mas quem come carne exige um respeito que não tem diante da vida alheia.

Não existe o direito de matar para comer. Nós nos demos esse direito por nos acharmos os donos do planeta Terra. Como “Top da cadeia alimentar” queremos acreditar que nossa espécie biológica e claramente vegetariana, tem o direito de reproduzir os outros a força, comê-los, faze de suas vísceras sabão, de seu couro bolsa e de sua vida função da nossa.

“A ética só vale para os iguais”.
Temo uma civilização que pensa assim.

Não dá para falar em paz, achando que está tudo bem com o que acontece nos matadouros...
A natureza se vinga sem piedade, principalmente com doenças. E ela sempre ganha.

Ao invés de usarmos nosso raciocínio para o bem, maltratamos tudo o que não é gente. Mas esta deturpação chega a ser tão absurdamente grande que rumamos passivamente para a autodestruição.

Não adianta ter fé se não houver prática.
A ignorância não livrará ninguém das conseqüências.
Muito menos a agressividade.

Aliás, acredito que toda agressividade protege uma insegurança imensa e demonstramos esta fragilidade impensada como qualquer cão de rua.

Quando sabemos ou sentimos que estamos errados e não estamos disposto a abrir mão do erro, a reação descompensada e descompassada chega a assustar. Mas o destino de todos é a sabedoria e leve o tempo que houver, custe o que custar, as coisas vão se revelar e acontecer.

Só depende de cada um abrir os olhos. O seu tempo não depende de mais ninguém.
Essa é a razão do livre arbítrio.
Quem tem olhos de ver, que veja...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Meus sonhos

Tenho pensado muito sobre tudo o que sinto diante da passividade humana.
Eu faria qualquer coisa para que finalmente entrássemos em harmonia uns com os outros e com o planeta.

Gostaria de mostrar ao mundo que a felicidade é agora... Que todos são diferentes, mas como os mesmos direitos de ter uma vida em abundancia... TODOS, não só os humanos.

Gostaria que todos os corações batessem forte de compaixão, que meus irmãos humanos respeitassem qualquer forma de vida e lutassem pela paz, a começar pelo seu prato.

Gostaria de ter o poder de fazer ver, de sensibilizar, de tocar corações resistentes e até acomodados com prazeres egoístas e superficiais. Para isso, eu poderia até fingir ser boazinha para causar boa impressão e ser melhor ouvida. Apesar destas serem inúteis para o bem comum.
Gostaria de compartilhar com meus amigos o que pra mim é tão obvio, claro e lógico... E continuar permitindo que o universo me invada de informações e sentimentos.

Eu gostaria de convencer as pessoas de que os ideais nascem nas mentes sonhadoras, de boa vontade. Que a transformação começa solitária e cresce com o sacrifício pessoal, abrindo mão de algo “bom” por algo melhor. E depois de algo melhor para algo perfeito.

Gostaria de lhes provar que não haverá paz sem trabalho e sem uma reformulação individual genuína e completa. Mudar a si mesmo para mudar o mundo.

Gostaria de partir do princípio comum de que não há salvador fora de cada um. Que ninguém pode fazer nada por ninguém, senão influenciar. Que é preciso autovigiar e autocriticar todo o tempo e, principalmente despertar e sair definitivamente da matrix.
Pois não há mais tempo.

Gostaria que você pudesse sentir o que sinto aqui dentro quando digo isso...

Eu gostaria mesmo era de mudar o mundo.
Em comunhão com toda a humanidade.

Mas como se não consigo sensibilizar nem os que me amam?
Como não me sentir um pouco em dívida com o mundo e com a vida, se tão pouco posso fazer pelas coisas que acredito absolutamente?

Eu não pertenço ao grupo que veio ao mundo para deixar as coisas acontecerem. Isso tem de sobra. E não me conformo com esse desejo alheio ensandecido de cortar as asas dos que estão além. Essa antipatia pelos que despertam e fazem certo.
E é a lógica que diz o que é errado e certo.

Eu queria muitas coisas.
Mas o que sei é que o trabalho voluntário apaixonado traz muitas alegrias.
Este é o trabalho se paga com gratidão e com a certeza de que jamais será em vão.
É o trabalho pela harmonia do universo, onde tudo, em terrenos fértil, conspira a favor.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"Gripe da Conciência"

A cada dia, aliás a cada instante, os noticiários, a internet, o jornal e até o seu Zé do Capinzal dão novas informações sobre a “gripe suína”...

Mas todos são enfáticos: nem precisa parar de comer carne, porque esta gripe é passada de “humano pra humano”.

Eu acho tudo isso muito engraçado. Pra início de conversa.

O ser humano é conveniente. Eu já provei mais abaixo e nem foi difícil. É só parar e observar.
A gente até entende que os fazendeiros falidos venham à TV chorar miséria sem reflexão alguma sobre a lei de causa e efeito. Mas daí a propagar “Comam carne” para não afundar a economia é inaceitável. Corrigindo: é ridículo.

Precisamos parar de nos vitimar e acreditar que tudo é uma fatalidade. O outro é sempre mal e eu sempre o bonzinho. Está faltando pouco para dizerem que a culpa é dos porcos!

Ora bolas... Nem deveriam haver tantos porcos assim no mundo. Muito menos aglomerados, reproduzindo-se em massa, explorados, tudo só para agradar o inconseqüente e quase inocente rei do mundo: o ser humano.

Parem sim de comer carne! Além de fazer mal a você, faz mal ao planeta, à consciência e aos animais.

Esta gripe é um aviso.
Enquanto alguns chefes de Estado sacrificam rebanhos (a principio um fato ruim, mas a longo prazo excelente), nosso presidente se orgulha da exportação de carne brasileira. Também seu filho é um dos maiores pecuaristas do país, é de se compreender...

Por favor, minhas palavras pouco devem comover os corações endurecidos pelas tradições e pela preconceito... Mas despertem para a nova realidade: Ou abandonamos nossos caprichos ou seremos dizimados. O planeta não vai agüentar muito tempo mesmo... Nem nossos espíritos carregados de karmas.

Exagero não... infelizmente.

domingo, 26 de abril de 2009

(In)coerência

O ser humano é cultural e conveniente. A coerência não é uma prioridade. As idéias não advém de um princípio, mas de preconceito, medo, prazer, egoísmo e preguiça.

Até o trabalho voluntário, quando existe, é solto, não questionado, como se fazer o bem real fosse tão clichê.

Vejo alguns com orgulho dizerem que são o que são e nunca vão mudar... Que devemos dar um passo de cada vez e tudo tem sua hora... Que as coisas são assim e ninguém pode fazer nada para mudá-las... Que não admitem novas idéias radicais se contrárias às suas próprias, decoradas na infância, no grupo ou na religião.

Não existe problema nenhum em mudar. Mas não mudar não significa vulnerabilidade. O fechamento à novas ideias é tão grave quanto a vulnerabilidade.

O necessário é ter princípios norteadores.
Muitas pessoas precisam de religiões para isso, pois é difícil colher uma grande quantidade de informações, raciocinar e criticar construtivamente a sociedade para criar conceitos sólidos baseados na verdade. A verdadeira verdade.

Estar livre e aberto é qualidade de poucos, pois é difícil abrir mão do que sempre se acreditou. E dá trabalho.

Eu, por exemplo, sigo os preceitos da não-intervenção. Isto significa não atrapalhar o rumo das coisas, mas posso manipular com o pensamento o bem que quero fazer, porque o bem está acima de tudo. Posso, em ultimo caso intervir, mas quando necessário. Infelizmente num mundo tão errante a necessidade é muito comum.

Este principio de não intervenção sem necessidade é que me faz crer que o parto natural seja melhor do que a cesárea desnecessária. A natureza fez perfeitamente por milênios e sinceramente muito pouco ainda podemos fazer para salvar se nem ela conseguir. E com a mania de ser deus, nos excedemos em tecnologia e atrapalhamos mais do que ajudamos. Diga-se de passagem, morre-se muito mais por cesárea do que por parto natural. O mesmo não aconteceria se os critérios fossem levados verdadeiramente a sério.

Pelo mesmo princípio não como animais. Não me acho no direito de acabar com uma vida alheia só porque a julgo, um julgamento frágil por sinal, inferior. Os animais deveriam nascer, viver e morrer livremente. Não me sinto nada confortável em matar pessoalmente nem em pagar para fazerem isto por mim. Se estou no “topo” da cadeia alimentar mas com raciocínio e compaixão, isto não me dá o direito de escravizar, explorar e aniquilar as vidas diversas, mas o dever de cuidar do planeta integralmente.

É pelo mesmo motivo que levo tão a sério minha pratica de amamentar, parir, não comer animais.

Um outro princípio é o do livre arbítrio. Todos têm o direito de errar, de se atrasar na evolução e até mesmo de se limitar. O que não posso conceber é que esta escolha implique em fazer qualquer tipo de mal a outrem. Eu respeito as pessoas, mas não posso respeitar os atos que prejudicam. Como disse, o bem está acima de qualquer outro princípio, se em algum momento eles se divergirem.

Eu posso respeitar a escolha de uma mulher que sequer suporte entrar em trabalho de parto. Desde que ela aceite que está pondo a si mesma e seu filho a danos, talvez irreversíveis, provocados por esta decisão. E não falo apenas dos danos físicos, mas também os psicológicos. A questão é que é mais fácil agredir quem combate a idéia do que buscar informações e admitir um erro ou uma precipitação.

Em relação ao carnivorismo a coisa é ainda mais grave. Para alguém se alimentar de carne necessariamente outro alguém precisa morrer. Alguém que não quer morrer. Não existe nada, racionalmente falando que nos deixe claro que nossa vida precise consumir outra para sobreviver. Isto foi inventado... Por preconceito, prepotência, insensibilidade e dinheiro.

Tenho muitos outros valores e eles me norteiam de uma maneira racional para o rumo certo. A prova disso é muito pessoal, mas o sentimento é claramente de que estou crescendo.

Posso ver isto através das oportunidades gratas e inesperadas que têm surgido, da minha estabilidade e satisfação profissional, da minha felicidade familiar, da minha existência cada vez mais perfeita enfim.

Certa vez um amigo disse “Você merece ser feliz e não aceite nada abaixo disso”. A vida me levou a desfazer deste amigo, mas não da lição. Foi por isso que decidi mudar o meu caminho e trabalhar incansavelmente para me tornar uma pessoa melhor e portanto, para fazer um mundo melhor.

Custe o que custar.

Passado

Apesar de adultos, maduros e desapegados, o passado pode por vezes nos desequilibrar.
Nas fotos vejo o amor eterno que acabou, que deixou marcas. Encontrei um colega da faculdade que não esperava mais encontrar... Lembrar um sentimento, uma dor, um cheiro característico de um tempo que não volta mais... e me remeter ao tempo e ao sonho que quase esqueci.

O passado está no passado. Não há como negar. Graças a deus, diga-se de passagem!
Mas não há como negar que somos um apanhado lembranças, experiências, trabalhos e divagações. Tudo o que vivemos e que quisemos viver me faz o que sou hoje. Se foi bom ou ruim, é só questão de maturidade para entender.

Meus erros e meus acertos me fizeram chegar onde cheguei e a ser quem sou.

Não existe vergonha, arrependimento ou lamentação. Existe compreensão.
vida passou e eu só cresci. Não tenho medo do futuro nem do passado, porque sei que o melhor sempre está por vir, mesmo que não me sinta preparada para viver.

Há 15 anos eu era só uma adolescente sonhadora, impulsiva, apaixonada e tímida. Mas foi ela que me trouxe a mulher segura, centrada e batalhadora que me reconheço hoje.
E ela está bem guardadinha no lado esquerdo...

Ela e os amores, os amigos, os sonhos.
Me desfiz deles sem traumas, mas os guardo com carinho.
Tenho saudade, mas não sofrimento.
Tenho amor e não apego.

Tudo o que amo e amei é livre...
Porque eu sou livre.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Passional

Eu sou confessa.
Uma passional clássica.
Tudo meu é exagerado, “jogado aos seus pés, eu sou mesmo um...”
Amo demais, odeio demais, me revolto demais... Até quando indiferente, sou expressiva!...

Sou fã dos poetas. Gosto de arte, mas mais ainda dos artistas, Os verdadeiros, claro. Compreendo perfeitamente as circunstâncias que os levaram à loucura, porque este mundo é paradoxal, cruel e quase sempre doentio.

Não su-por-to o meio termo. Não sou comedida, não finjo, não acredito que alguém possa se dar bem com todo mundo, simplesmente porque geralmente sobra “tipo” e falta caráter.
E não quero ser, mesmo sabendo que não agradarei a todos. Paciência!

A hipocrisia tem toda minha antipatia e está dentre as manifestações humanas que me irritam mais profundamente.
Tenho nojo.

Eu tomo as dores, me posiciono, não acendo vela para dois deuses.

Na adolescência eu vivia apaixonada, dançava até de manhã, fazia amigos eternos, nadava na chuva, era amada pelos professores, sorria e chorava com a mesma facilidade. Enfim, aproveitava a vida e crescia...

Depois que me tornei mãe as coisas mudaram um pouco, mas meu espírito selvagem é incurável. E eu gosto disso.

Não que seja certo. Não sei se o que é certo ou errado, Aliás, já faz tempo que entendi que isso é só questão de tempo. Eu quero simplesmente dar o melhor de mim e viver... Viver tudo a que tenho direito: a feminilidade, a maternidade, a enfermagem, a dor e o amor.

Não me dou o luxo de ter medo. Eu faço e penso. Idealizo e trabalho arduamente, diariamente por um mundo melhor, além dos muros da minha casa, além, muito além da zona de conforto, na qual a maioria vegeta.
Quanto mais a humanidade é apática, mais eu encontro semelhantes.
E comungo.

Ser parcial tem suas vantagens.
Eu sei muito bem o que quero, porque quero e para que quero.
Tenho argumento para tudo que defendo e amo minhas causas sem restrições.
Vou até o fim. Não sou domável.
Ai, cara, eu em amo!

Se eu fosse homem, eu me pegava.
Hehehehehehe

Equilibradamente instável, apaixonadamente livre, intensamente espiritualizada.
Tenho compaixão pelo que merece compaixão e luto quanto mais for a necessidade do oprimido que defendo.

Tenho pena, mas não sou boba.
Sou uma mãezona, mas também sou uma moleca. Desde sempre.
Acho que é até por isso que minhas brincadeiras com as crianças dão tão certo.

Quando dá vontade de rir, não me controlo. Tenho que sair.
Não sei sentar na cadeira sem me esparramar.
Mas confesso de vez em quando falo difícil.

Eu amo demais meus amigos e faço tudo por eles. Uma decepção de amigo é o meu golpe fatal. Não pague para ver a traição da minha confiança, por favor...

Ah, mais uma coisa, não posso ver uma grávida na rua. É quase irresistível não convidá-la para conhecer a verdade e sentir o que senti no parto. E é duro descobrir que algumas não estão nem aí pra isso!

Eu sou mais um monte de coisas legais, tenho defeitos graves, mas, de tudo que sou, o mais importante é que gosto de mim... Assim.

Mas se for necessário, eu mudo!

Beijos da poetiza... Eternamente...

sábado, 28 de março de 2009

Nascer e Morrer

Hoje morreu minha última avó... Minha parente mais velha, a “mamãe”, “a vó Cidinha” e mais recentemente “a Bisa”.

Viveu muito intensamente seus 86 anos e exatos 5 meses dados de presente, de vida. Uma semana após eu, sua neta mais velha completar 30 anos. Foi legal passar esses anos com você, vó...

Sempre que vinha nos visitar, eu gostava de ouvir de sua boca orgulhosa suas belas histórias de parto, a maior parte em casa, inclusive um bebê já sem vida devido a um tombo dias antes.
Amamentou todos os filhos, à exceção do caçula, o único que nasceu de cesárea que a levou a coma de 4 longos meses por reação anestésica.

Mal freqüentou a escola, nunca trabalhou fora, casou-se pro amor com um homem duro e o enterrou dignamente há 23 anos. Teve 6 filhos com saúde, todos apaixonados pro ela.
Completamente lúcida, contava com riqueza de detalhes fatos ocorridos há 50 anos. Mal enxergava, mal escutava, mas incrivelmente sabia tudo o que acontecia, mesmo que inocentemente não percebêssemos...

Há 20 anos teve um derrame que levou da “costureira de mão cheia” à imobilidade do braço esquedo e desde então começamos a ver a vivaz senhora morrer aos poucos. Levou sua mão sã e sua liberdade.

Esperava ansiosa pelo milagre de voltar a ser independente, mas, vai entender, ele nunca veio.

Eu a fiz avó, mas ela fez muito mais por mim. Carrego mais dela do que parece. A paixão pela maternidade, a esperteza, a tendência ao drama e a vontade de viver. Carrego também sua herança visceral na certeza de que em mim vivem 25% só dela. E que isso ninguém pode tirar.
Sua continuidade agora pertencem aos meus filhos, meu sobrinho, minha afilhada e a todos os descendentes que aguardam a hora de vir.

Não, ela não morreu.
Não é uma negação, é uma certeza.
Se foi dormindo, em paz. Tenho certeza de que não sentiu dor.
Esteja onde estiver, a esta hora já deve ter aberto os olhos, percebido emocionada sua mão e corpo livres novamente. Livres da paralisia, da dor, da moléstia. Jamais precisará de novo de sua bolsinha (quase mala!) de remédios. Eles não servem de nada, nunca serviram.

Morreu em casa, em silêncio, ao lado da família que a amava. As duas grandes tentativas da morte de pegá-la em hospital foram em vão: tanto em seu último parto quanto agora. Se recusou a partir de forma comum e fria. Deixou este mundo da mesma forma digna que veio a ele.
A morte não existe e eu não posso chorar. Consigo compartilhar com ela da paz e sobriedade que sente agora. É forte demais para negar.
Eu queria sim que você visse de perto meus filhos crescerem, passar junto os natais, fazer sua festa de 90 anos como planejamos... Eu lamento, mas me recuso a sofrer, porque passou conosco o tempo necessário para deixar as lições e o carinho que nos ensinou.
Carrego com meus filhos seu “Miranda” e seu sangue guerreiro.
Não há tristeza, há tranqüilidade. Não há desespero, há sabedoria. Antes havia, mas agora não há mais porquê chorar.
E por isto, hoje, grata, posso dizer, siga seu caminho em paz, vó, e até breve, porque a vida passa rápido demais... Você sabe.
20/03/09

Necessidade de Carne

É perfeitamente possível ter uma alimentação livre de carne.
Carne não é aquele pedaço descaracterizado de vida feliz em seu prato. Carne é o que restou bruto do sofrimento do animal, agora, morto. Queira você ou não, esteja preparado para compreender ou não. Não passará a ser uma coisa inócua só porque você se recusa a pensar sobre isso.

O vegetariano por amor surge como uma opção saudável e viável para toda a dor provocada pela enraizada tradição carnivorista.

Quem abre mão deste hábito, o vegetariano, deve ter alimentação que basicamente todo mundo deveria ter: rica em vitaminas, proteínas, minerais, dose certa de gorduras e carboidratos. Proteínas de origem vegetal não deixam de ser proteínas nem de exercer seu papel. De uma forma talvez diferente sim, mas se fosse outra cadeia certamente teria outro nome!
Financiamento para isso, não faltaria...

Qualquer pessoa, carnívora ou não, precisa minimamente ter uma dieta o mais natural e variada possível.

Se um profissional diz que isso é indiscutivelmente errado, te faz sentir um fora da lei não comer animais, o contraventor antiético preconceituoso é ele que não esta respeitando a opinião alheia, Ninguém tem que concordar para, pelo menos, respeitar. Profissionais são seres humanos e também podem se enganar.em seus dogmas. Grande parte deles se atém a mitos acadêmicos – já caindo por terra -, e outra parte se atém a conveniência pessoal ou até mesmo a preconceitos. Se existisse verdade absoluta, não haveriam tantos nutricionistas vegetarianos!...

Tratar os diferentes como rebeldes sem refletir sobre sua causa é uma forma irracional e prepotente de julgar e desmerecer quem não pensa igual.
Jamais julgue sem se informar.

Aliás normalmente os desertores da matriz têm paixão por suas causas que merecem do restante ao menos respeito e reflexão.
Mas não é fácil para uma sociedade tão acomodada entender porquê abrir mão de alguns prazeres, se somos a espécie dominante e todo o resto é inferior... Matamos e destruímos porque infelizmente é lícito, “já que somos os donos”...

Carnívoros têm anemia tanto quanto ou mais do que vegetarianos. Esta é a prova de que não se cura anemia simplesmente comendo bife de fígado, mas com a combinação correta de nutrientes. Além disso, não podemos rotular de “doente” quem foge um pouco ao padrão laboratorial pré-estabelecido.

Doente é quem se reconhece como tal.
Ter uma vida saudável não pode depender basicamente de apenas um item do cardápio. Se assim fosse, teríamos que ter a mesma postura quanto aos “contra jiló”, afinal jiló também faz bem, mas tanta gente não come!
Ao contrário aceitamos porque a maioria não gosta de jiló... Somos apenas convenientes.

Nós vegetarianos, só pedimos respeito, ética e sensibilidade para nos compreender que não é só o ser humano que necessita de compaixão.
E que os critérios para amar vão além da conveniência e da cultura...
Ultrapassam os muros da espécie.

Viver bem e com a consciência tranqüila cria uma saúde além do imaginável. É difícil explicar, mas é fácil sentir. Me sinto mais parte desde organismo vivo que é a Terra, por respeitar incondicionalmente as mais variadas formas de vida, independente da forma que se apresente.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Radicais

Puxa, como eu escuto isso!

Por um lado, tudo bem porque já entendi que as pessoas chamam de radical todo aquele que tem coragem para reagir a esta vida confortável, difícil de se desprender.
Tudo aquilo que é certo demais, pasmem, também pode ser radical.

As vezes dou exemplos mais grosseiros em relação ao "radicalismo vegetariano". Os carnívoros se alimentam de morte o ano todo e, não sei porquê razão se sentem no direito de matar só porque o ser não é humano. como se nascer humano nos desse um estranho status: o direito de determinar quem merece viver e morrer. Sem críticas, sem avaliação e sem sensibilidade.

Realmente não entendo o que nos faz crer que estamos acima de qualquer outra vida dentro do planeta Terra. E eu me esforço para compreender. Mas continua sendo muito difícil pra mim respeitar quem não respeita a vida, so porque ela não teve a sorte de ser humana.

Quanto a minha outra bandeira: o parto natural, também sou vista como radical. É como se ninguém precisasse de tanta humanização assim. Afinal, um hospital pode ter humanização e, de quebra, humanização! Ao contrário disso, vemos os profissionais sem instrumentos ou desinteressados em praticar a humanização verdadeiramente e acabam cometendo várias gafes. Cada um a pratica da forma que acha melhor, normalmente sem abrir mão de seus mitos e de seu conforto pessoal, mais no que da parturiente.

Minha família diz que sou radical porque não batizei meus filhos. Eu pdoeria fazer isto em homenagem a eles, mesmo sendo muito pouco católicos. E não faria mal nenhum a eles. Mas vai que isso é necessário para deus! Pelo menos eu garanto a entrada deles no paraíso.
Não sou católica e merecuso a manter uma tradição que não me faz sentido...

Sou uma ecochata. E lamento muito que tão pouca gente tenha sensibilidade para valorizar integralmente a natureza. É como se os recursos fossem eternos. Pagamos para a prefeitura levar aquele lixo fedido para bem longe e, como não vemos, não há problema. Compramos, gastamos, não recusamos, acumulamos e descartamos. Nos comovemos com os catadores dos lixos nos lixões, mas sequer pensamos em sair de nossos casulos para ter o saudável hábito de separar o lixo ou para reivindicar sistemas de esgotos e de reciclagem de nossas governantes. Afinal, pagamos caro para não sermos incomodados com isto!

Eu sou radical, porque resolvi amar todos os animais. Até os que tenho medo!
Não escolhi amar cachorro e comer bois. Tenho patos de estimação que não morrerão no meu prato. O Karma deles devem ser bem leve! Infelizmente, muitos caracterizados socialmente como radicais são, na verdade, os poucos coerentes... Todos sabem que matar é errado, independente de qualquer coisa. Nascemos sabendo disso. A ética tem que ser incondicional, senão não é ética. Mas abrimos concessão em nome de um fugás prazer pessoal, impensado.

Enfim, recomendo aos "radicais" que não se importem com rótulos. Somos éticos, responsáveis, críticos e dispostos. Não é fácil ser assim num mundo tão avesso a tudo isso, onde para se ter prazer vale tudo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ela faz tudo!...

Como enfermeira, sinceramente jamais esperei ter tanta autonomia quanto tenho agora.
Quando escolhi ser enfermeira, nem sabia que o campo era tão amplo. Na verdade sabia muito pouco além do senso comum que diz que enfermeira é secretária de luxo de médico.

Estudamos muito para poder fazer o que fazemos.
Passei muitos anos sentada, deitada ou de pé, estudando para fazer o que posso fazer hoje. Estou embasada legalmente, tenho instrução e destreza para praticar minhas ações, mas parece que vou ser eternamente perseguida por não ter feito medicina e viver neste preconceito asqueroso que sublima uns e subestima outros, sem lógica.

Soube que uns visitantes (quase médicos) que participaram de minhas consultas de pré-natais disseram que eu fazia tudo! Eu faço mesmo... tudo o que está protocolado, fundamentado cientificamente, mas é difícil demais admitir que uma consulta de médico ou de enfermeiro de PSf são praticamente a mesma coisa, do ponto de vista técnico, porque é só seguir protocolo e encaminhar para o obstetra, em caso de alto risco.

Me sinto muito segura em minhas condutas. Sei o que estou fazendo e porquê estou fazendo. Não acho nada, pratico a ciência baseada em evidência e pronto. Jamais vou além da minha governabilidade e sei meus limites, como todo mundo deveria saber.

Minha prática diferenciada faz com que as clientes se preparem, gostem e até sintam falta das consultas quando o pré-natal termina. Eu sou legal, mas também sou muito ética e competente. E elas sabem disso. Todos podem errar, mas para evitar, sempre esclareço dúvidas, pesquiso e sou humilde para reconhecer.
Isto não é um problema para mim.

Me sinto muito querida pelas gestantes. Me sinto íntima, confiável e especial para elas. Isso profissionalmente é extremamente valorizável, mas do ponto de vista pessoal é impagável. Tenho muito orgulho de poder fazer o que amo e ainda ser reconhecida por isso.

Isso me faz melhorar constantemente, compreender que meu trabalho aqui na Terra vai além de "salvar" vida, mas dar uma qualidade e um significado diferente a ela.

Nem sempre eu fui tão feliz com meu trabalho, mas eu quero mais. Acho que posso contribuir de maneira ainda melhor para o mundo e não abrirei mão de fazer bem o que vim fazer aqui.
Mas de jeito algum.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Pessoal e profissional

Trabalhando com a saúde materno-infantil, tenho a oportunidade de ver pequenos grandes milagres da natureza acontecendo diante dos meus olhos... Todos os dias.

Uma adolescente que supera as expectativas parindo; uma primípara próxima dos 40 que se supera amamentando com a dor das fissuras mamárias por todo o puerpério; ou uma mulher comum que se vê sozinha numa gravidez inesperada, decidindo assumir todas as responsabilidades pela vida de seu filho, ainda do tamanho da cabeça de um alfinete...

São todas histórias belissimamente simples que tenho o prazer e o privilégio de participar de perto... E mesmo contra todos os protocolos, com uma boa dose de romantismo e envolvimento pessoal.

Muitas pessoas alheias à esta realidade ou calejadas pelo hábito de assiti-la, não compreenderiam minha imersão neste universo. Mas, sendo quem sou, não haveria como ser diferente.

Esta profissão me deu uma oportunidade incomum de viver de maneira profunda as mesmas experiências, ativa e passivamente: como mãe e como expectadora admirada de uma natureza irretocavelmente perfeita.

Sou infinitamente grata por poder viver toda minha feminilidade em todos os aspectos da vida. Viver através de mim e através dessas doces mulheres, me revelando incansavelmente como a vida pode ser difícil e deliciosa ao mesmo tempo.

Está no inconsciente coletivo dos que não conhecem a Enfermagem que esta profissão é secundária, serve outra, alguns dizem até que sou muito inteligente para ser "enfermeira"... Mas na verdade, eu é que lamento por outros colegas que também estão lá diariamente, mas não conseguem vislumbrar a beleza de ser simplesmente humano.

Eu amo a Enfermagem por ter me conduzido para ver a vida com outros olhos. Sou uma eterna agradecida à maternidade por ter transformado a menina mimada em mulher forte. Estas mulheres que me fazem cúmplices em suas histórias... O que me faz uma pessoa incrivelmente melhor e ainda me dão um carinho comovente em troca.

Sinceramente, não tenho do que reclamar...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Meu mundinho aberto

Nos últimos dias, tive a grata surpresa de ter encontrado umas 10 ou 12 pessoas muito parecidas comigo e meu companheiro (namorado-marido-amigo). Pessoas que despertaram ou estão despertando para uma verdade muito maior do que para a maioria esmagadora das pessoas que conheço e das pessoas do mundo inteiro.
Encontrar irmãos assim é uma sensação realmente tocante. É igual a dor de parto: não dá para explicar.

Estou descobrindo o amor fraternal, sem qualquer laço genético ou apego, sem sequer fazer parte da rotina do outro. Um amor que se basta, que quer ver de vez em quando, que deseja profundamente o bem e que, acima de tudo, respeita incondicionalmente. Isso não depende nem mesmo de conversa, é ilimitado e principalmente livre.
E nas ultimas semanas, tenho aprendido muito com este sentimento.
Finalmente anteontem, um deles se manifestou e vi claramente que a recíproca é verdadeira. Isso é muito gostoso e recompensador.
Antes eu tinha duvidas sobre ser o certo estar entre semelhantes e se desenvolver ou estar com os “normais” e ajudá-los a despertar. Não que eu seja melhor. Apenas para algumas coisas acordei primeiro. Muitos deles, inclusive, assim pensam.
O fato é que eu me sinto e sou apontada como alguém diferente qualquer lugar que vá. Normalmente sou rotulada “a vegetariana? A Que tem os filhos em casa? A que não batiza? A que é toda natureba? A que mora no meio do mato?”. Nada disso sinceramente me incomoda, aliás é assim que quero ser lembrada..
Não maior parte das vezes isso é legal, porque atrai alguns tipos e me dá poder de transformação a quem se abre..
Mas pelo outro grupo, me sinto muito diferente. É como se me achassem meio desajustada social (rs). Essa coisa de pensar em sofrimento animal e ecologia, dar tanto valor ao nascimento e à maternidade, me preocupar com a alimentação e 2012, ser enfermeira e evitar remédio, morar em sitio e não furar orelha de filha... Infelizmente quase ninguém pensa no que deveria ser rotina. Nos acomodamos.
Às vezes ignoro tudo isso e começo a falar de coisas muito profundas a pessoas que não questionam nem o básico. E caio do cavalo, porque sempre acho que todos tem direito a se desalienar. Lamento, mas também respeito quem deseja permanecer na matrix. Só não compreendo...
Esta semana uma jovem mãe conhecida me pediu uma receita de um antitérmico, porque seu bebê tinha feito uma vacina e ela queria se “prevenir”. A criança é submetida a vacinas que sequer consigo ter clareza de sua eficácia e risco-benefício e a mãe, ingênua imersa num sistema tecnocrata, quer dar remédio antes mesmo do bebê ter a “febre”. Isso é complicado demais pra minha cabeça.
A febre não é um mal sinal, humanidade! O corpo está trabalhando para expulsar um microorganismo invasor, que entrou com o consentimento até mesmo judicial. E aí, não deixamos que seu corpo amadureça e se defenda da única forma que conhece e faz eficientemente há milênios.
Recomendei medidas caseiras para alívio da utópica febre e orientei a trazer a um serviço de saúde, se não melhorasse. Eu jamais faria uma receita de corredor, exaltando uma crença na incapacidade humana de resolver pequenos problemas biológicos criados, sem ao menos tentar...Seria até antiético de minha parte prescrever para um “mal” que, nem mesmo para os conservadores, existe.
Não posso trabalhar com previsões.
Ela não gostou e foi pedir a outro profissional que provavelmente fez e, por isso, deve ter conquistado seu agradecimento e simpatia.
Isso de vez em quando acontece, mas, como semelhante atrai semelhante, chegam a mim também muitas mães que pensam diferente, evitam dar remédio e se viram bem com as orientações naturais aprendidas com muita disposição. Isso me deixa imensamente orgulhosa.
Na verdade, os princípios da bioetica - Autonomia, Não-Maleficência, Beneficência e Justiça – muitas vezes são substituídos por achismos pessoais.
Tento contribuir com este despertar de consciência em todos os aspectos da minha vida, porque em todas as áreas, precisamos acordar rápido se quisermos permanecer.
Estes meus irmãos recém-encontrados parecem firmes em sua missão, que não é nada, nada fácil. E a eles agradeço, em meio ao caos, poder me sentir tão bem para lutar. É um caminho solitário que infelizmente atrai antipatia dos conformados, mas não há problemas porque até eles despertarão.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Além da Verdade

Quantas coisas o ser humano é capaz de ignorar apenas para manter sua eterna rotina da zona de conforto?

A sociedade é capaz de desprezar tudo o que não lhe convém, mesmo que seja melhor.
O consumo consciente por exemplo. Ao invés de se incentivar a redução da necessidade de comprar, os governos dizem “Gastem para sustentar este modo de vida!” e o ciclo caótico permanece.

Será que as pessoas realmente acreditam que a natureza vai perdoar tanto descaso?
Por que a humanidade acredita que o mundo lhe pertence?
Extinguimos criaturas milenares por capricho, derrubamos árvores para ter o prazer de comer carne – e em excesso -, trocamos de celular com uma rapidez assustadora, enfim, destruímos desenfreadamente, sem qualquer autocrítica.
E tudo bem, porque todo mundo faz igual.
Tudo bem porque eu sozinho não vou mudar o mundo.
Tudo o que fazem para preservar o planeta é exagerado e trabalhoso e eu não tenho nada a ver com isso.
Nossa ética só vale entre nós. Matamos para comer, vestir, ficar na moda. Mudamos todo o ecossistema para nossa acomodação. E de vez em quando, cansados de respirar monóxido de carbono, vamos ao parque Nacional de Itatiaia para ver como seria todo o mundo inteiro, se não o tivéssemos degradado sem cerimônia.
Curtimos limitados a cachoeira bem diferente da água barrenta dos nossos lagos remanescentes e dos nossos esgotos-rios, onde despejamos nossos dejetos mal cheirosos...
Pagamos a prefeitura para esconder nossos restos bem longe em lixões. Surpresa: o lixo não some feito mágica quando você não pode mais vê-lo!
Intrigante nossa ética especista. Nos revoltamos quando crianças são mortas, mas comemos baby beef num restaurante chique, ignorando todo o sofrimento daquela carne ate chegar ali. Seria maldade, se não fosse frieza. Espero que quem come, pelo menos saiba o que é “baby beef”.
Claro que a maior parte das pessoas não consegue ver a relação entre sua ação e seu reflexo para coisa alguma. Mas não vê, porque não pensa sobre. Uma outra parte não pensa nem vai pensar porque afina “existe coisa mais importante pra fazer” do que construir um mundo melhor ou, pelo menos, habitável.
Estas humanidade talvez não pague o preço total do que está fazendo, senão por um calor insuportável e catástrofes “naturais” – possivelmente um recurso do planeta para lhe extirpar um pouco do mal que lhes faz -. Mas seus filhos e netos, aliás, toda sua descendência esta sendo amaldiçoada.
Infelizmente não adianta só jogar lixo no cesto e usar camisa com dizeres ecológicos. É preciso cessar milhares de hábitos nocivos. Parar. Agora.
E começar a respeitar de verdade tudo que nos mantém vivos.
Ainda se ouve por aí pensamentos egoístas e mesquinhos do tipo “Tem que poluir mesmo! Não vou ficar cheio de paranóia de natureza! Comer carne não tem nada a ver com ecologia. Não posso fazer nada sozinho! Primeiro temos que pensar nas pessoas passando fome, depois no planeta!”.
Este planeta já está dando sinais de que não vai tolerar por muito tempo o mal que lhe fazemos. Podemos ate continuar a viver enquanto espécie, mas teremos que nos transformar pela dor, pois a situação vai ficar insuportável: calor, fome, sede, necessidades.
Certamente muitos dos que lerem isso, tentarão se desculpar dizendo que são exageros catastróficos inventados para aterrorizar. Assim arrumam uma boa desculpa para não pensar nisso e voltar à sua zona de conforto. Mas logo descobrirão a verdade. Na pele. Mas não sabemos por quanto tempo mais nossa Terra, nossa mãe, vai sustentar tanta ingratidão.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Por um Verdadeiro Amor

Sempre fui uma daquelas meninas românticas do interior. Na adolescência, por fora uma roqueira meio trash, apaixonada por rapazes de cabelos compridos, decorando letra de música. E até hoje me rendo mais a um rock progressivo do que a o New Age, hoje mais condizente com minha personalidade.

Por dentro, construía minha auto-confiança sobre areia movediça, que custei vencer até encontrar a rocha que me sustenta agora. In love ou apoiada por algum amigo de infância, cresci na família que precisava, que me foi dada não por afinidade, mas na qual aprendi a amar e ser gente.

Intrigada por não entender os luxos e vaidades do mundo, compreendi melhor a profundidade da vida. Sem acesso ao mundo ate então, me recolhi á simplicidade e conheci os valores inestimáveis.

Quanto às paixões, tive muitas. Grande parte platônicas, de um lado ou de outro – e só muito mais tarde entendi o quanto isso foi útil! Poucos chegaram aos meus braços. Apaixonados, sofreram com minha instabilidade amorosa. Com uma ou outra exceção, foram os que provocaram o amor em mim. Impossível esquecer, mas a maturidade os colocou num lugar especial, resguardadas suas devidas proporções e significados em minha vida.
Eu realmente acreditava que fossem amores. Era a maneira que eu via, como todo bom romântico. Mas, para ser honesta, amor só tive um e é o que sinto agora.
Claro que ser o atual não é o único nem o mais forte argumento que me dá a certeza do que ele é o único – e o ultimo, espero sinceramente... Aliás este é o menor deles.
Nessas minhas quase 3 décadas de existência, uma das coisas que aprendi é que o que veio pra ficar, fica. Só o tempo trará a certeza, mas existem alguns sinais que só tive “neste amor”.
O sentimento duradouro dificilmente será encontrado no primeiro relacionamento sério, porque erramos demais na primeira vez. Existem erros irreparáveis para se cometer até que chegue o amadurecimento. E às vezes o caminho mais sadio é começar de novo. Do zero. Mas isso, só que está dentro pode decidir.
Como lidar com os ciúmes, traições e exigências do primeiro amor? Melhor seguir a vida e continuar a lição.
Geralmente a “pessoa definitiva” carrega qualidades que a gente gostaria de ter, que assumimos ou acrescentamos às nossas. Claro que existirão diferenças, mas o amor sustentará a relação até que ambos estejam polidos o suficiente para conviver. Mesmo assim, jamais terá que se calar ou deixar de ser o que é, em essência, para amar alguém de verdade.
Ninguém deve amar mais do que o outro. Isto de “amar pelos dois” ou “o amor vem com o tempo” só dá certo em novela, e nem lá isto dura muito. O amor precisa ser amado a dois.
Experiência própria: não espere o sentimento se transformar em amor nem force a barra para que aquilo seja amor. Quando puder ser, acabará ficando claro.

Ah. E ele chegará, mostrando ao que veio!... Pode vir carregado de dúvidas, aliás, é indispensável cautela com as certezas precipitadas. Pode vir de mansinho ou fazendo barulho, colocando a vida de pernas pro ar, como foi comigo. O fato é que, desde o princípio, haverá algo diferente no coração, dentro daquele sentimento.

E o que mais há no amor verdadeiro é aprendizado. De ambas as partes... Aprendizado em todos os sentidos e, invariavelmente, trará crescimento.

O amado terá semelhante admiração. Terá paciência para compreender seus momentos, na mesma proporção. Será meio pai, meio irmão, mas TEM que ser o melhor amigo.

Para fazer eterno, não pode haver mentironas nem mentirinhas. Tenha em mente que a verdade está sempre lá. Nunca se vai. Então evite errar para não ter que contar.

Uma premissa básica: o respeito precisa ser incondicional e um relacionamento bom só pode dar bons frutos. Se gera agressão, humilhação, orgulho ou se alguém não está a vontade, o relacionamento não constrói e não pode dar certo. Mas quando houver erro, o arrependimento e o perdão devem ser genuínos. Isso é o mais importante.

Bons frutos são as obras importantes criadas em conjunto. O que construíram é significativo, forte, belo e bom? Isto serve tanto para as construções físicas (casa, trabalho) quanto para as morais (confiança, educação dos filhos, lealdade, ideais de vida).

Podem existir outras formas de amor ou pode ser que alguns destes conselhos não sejam para todos. Mas foi e é assim comigo e acredito que seja para muitos outros.

Eu e o Sandro estamos juntos há 5 anos. Sempre houve muita atração, desde que éramos “só” amigos há 10 anos, desde sempre. Podem dizer que é pouco tempo para saber, mas sei o que estou dizendo, porque tive outras experiências. Uma delas, inclusive, levou-me 1/3 da minha vida até então. E nada foi tão produtivo e gostoso de viver quanto o que temos agora. Nada nos fez mais feliz.

Quando olho aquele homem todos os dias, vendo cada vez mais beleza e encanto, algo me diz sinceramente “ Desta vez é para sempre sim”.
Que assim seja.

Coisas Pequenas

Esta nossa sociedade possui muitas carências e conveniências difíceis de entender quando rompe-se com o sistema e decide-se ser espontâneo e nos relacionar por prazer e amor.

Ao invés de se sentirem bem com o que têm de bom, fazendo do um futuro um presente, as pessoas permanecem apegadas ao passado e ao que já não é mais...

Não estou falando de ingratidão. Aliás é essencial ter gratidão por todas as coisas para merecer outras coisas ainda melhores. A questão é o apego.

Os antigos costumam ter falas parecidas, comuns entre eles, permanentemente nostálgicas. “No meu tempo é que era bom”, se menosprezando o que possuem hoje, a riqueza e a experiência que só a maturidade lhes conseguiu trazer.

Apego e amor são coisas completamente distintas e proporcionalmente tão distantes quanto a falta e a saudade. Respectivamente.
Em compensação, há aqueles doces rebeldes, dos quais sou fã, habitalmente freqüentadores dos bailes da terceira idade, dançantes, alegres e cheios de vida, curtindo cada instante com uma invejável felicidade. E por isso tão criticados...
Aquele que vive preso – a coisas, pessoas, épocas ou ao que for – não valoriza o presente divino, que é ser amado e admirado, não pelo que foi, mas pelo que é. Apegado ao que escolheu pertencer, não observa que as cosias melhoraram e que os sentimentos e sensações mudam, sem prejuízo a ninguém.
Em minha velhice, quero com minhas madeixas acinzentadas, curtir com meu amor as conquistas e a vida que atraí para mim. Meus filhos construirão suas famílias com o mesmo amor que construí a minha e serão pais ainda melhores. Adorarei ajudar e jamais o culparei por tê-los escolhido. Eles nasceram livres. Livres da ignorância, livres da carne, da hipocondria e da acomodação. Livres e conscientes para serem e fazerem o que bem entenderem de suas vidas. Livres...
Aceitarei meu destino, fazendo dele cada dia mais significativo e observarei a história com a sabedoria impagável de um coração maduro. Saberei colocar as coisas pequenas e grandes em seus devidos lugares.
A beleza há em todo lugar.
Lamento sinceramente pelos apegados. Não sabem admirar e apenas o vício da recordação e da ingratidão ao presente lhes dá algum prazer. E só este vício os faz menos infelizes. Se teletransportam para o mundo que criaram para não ter o trabalho de curarem do mal que provocam a si e a quem machucam com sua teimosia irremediável e triste. E nenhum amor os traz de volta ao belo mundo real, se não estiverem dispostos.
Juro que minha maturidade será sóbria e só trará alegria e sabedoria aos que lá estiverem, segurando minha mão.
Aos teimosos, desejo o amadurecimento que a idade não conseguiu trazer... E sorte. Uma mudança no rumo natural de sua história, antes que seja tarde. As coisas pequenas não retribuem nos baixos da vida.
Mas se demorar a acordar, que a “coisa” grande do presente seja ainda maior que seu orgulho e segure tua mão também.
Que exista gratidão ao que merece gratidão.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Meus filhos

Meus filhos são para mim a melhor coisa que me aconteceu. E tê-los não é só bom para brincar e amar, mas principalmente pelo aprendizado e desejo de um mundo melhor que trazem à minha vida.

Através deles, valorizo mais os detalhes, os momentos, as pessoas.
Por causa deles, respeito mais a vida, as escolhas e ate me submeteria à situações impensáveis. Compreendo, aceito, luto e desafio para que suas vidas não sejam em vão.

Com eles, a caminhada é mais amena e mais feliz Um sorriso num dia difícil, um primeiro passinho têm o poder de transformar um inferno em paraíso. São o consolo e a certeza de que a vida é muito maior do que parece.

O gasto, o tempo, o desconforto que temos com eles são completamente superados pelas profundas alegrias que, sem esforço, trazem.

E tudo vira nada quando estão dodoizinhos, amuados ou sem a vitalidade habitual. Só as mães compreendem esta dor. E raras são aquelas que conseguem ficar ao lado, compreendendo que este é um momento particular e necessário para o amadurecimento físico e emocional dos pequenos.

Filhos são o investimento mais significativo e concentrado que podemos fazer!

Às vezes me pergunto se bons frutos só dão em boas árvores e se arvores fracas dão somente frutas aguadas...Mas estou criando e educando cidadãos responsáveis, sensíveis, corajosos e éticos. Por amor e por e por comprometimento, devo isso a eles e ao mundo que queremos fazer melhor.

O passado no passado

Como uma pisciana genuína de 11 de março, vivo em eterna nostalgia. A saudade de tudo e até do que não vi (como diria Renato Russo) me persegue e eu “biologicamente” a ela.

Mas há algum tempo decidi que a vida tem que ser vivida no presente e só assim se pode criar um futuro melhor. Nada no passado pode ser alterado, por mais que doa. Mas o presente pode ser diferente, basta querer e praticar. Não que seja fácil, mas não que seja impossível também!

Infelizmente muitas pessoas se prendem ao que já se foi, ao que não é mais. Viciadas no impalpável, seguem suas vidas sem viver. Nada é pleno, sempre existe um “se” e geralmente estas premissas vem acompanhadas de pessimismo e egoísmo.

O que é do passado pode ser guardado com carinho e gratidão, mas jamais com apego e lamentação, senão causa sofrimento a si mesmo e aos seus.

Muita dor causa aquele que diz que não precisa de ninguém e que não precisa pensar nos outros para agir. Causa espanto, ojeriza e rancor essa “auto-suficiência” obra de muita fragilidade e insegurança. É apenas um mecanismo de defesa, mas este argumento orgulhoso não deixa de ser uma demonstração pobre e vil de carência e necessidade de chamar atenção através do discurso.

O que passou, passou. Isto inclui coisas, sentimentos e pessoas. Como roupas, nos desfazemos por não servir mais e, principalmente, porque alguém pode aproveitar aquilo melhor do que você.

Pode parecer cruel falando assim, mas não é possível trazer os namorados da adolescência, as cartas apaixonadas, as professoras favoritas nem as pessoas que morreram. Que morreram no sentido literal e figurado. A vida muda e as coisas passam. Se não for entendido e feito assim, o apego predomina e prendemos as pessoas em nosso mundo, quando elas tem o direito de ir. E nós, o dever de seguir outros caminhos.

Não existe nada mais importante do que este momento, agora, já. O instante é extremamente fugas e jamais se repetirá. Se está difícil, a responsabilidade não é do mundo, mas sua. E é necessário começar imediatamente.

A saudade é compreensível e ate saudável. A nostalgia e o apego são doenças porque fazem mal a todos.
Ame quem está aqui. Cuide do que tem hoje.

Para ter um futuro confortável, sóbrio e feliz, respeite o passado, mas valorize o instante... Agora.

Pingos nos “is”

O merecedor de sua atenção é quem deseja de coração te fazer uma pessoa melhor, não quem aceita tudo passivamente.

Aliás, estes são os piores, porque não sabemos o que tem no coração, apesar de parecerem tão bonzinhos...

Muitas pessoas acreditam que os passivos, que concordam com tudo são os amigos de verdade, mas não passam de psicólogos baratos (figurada e literalmente).
Cuidado com os falantes e cuidado com os mudos. Os excessos estão na corda bamba entre o normal e o patológico. Nenhum dos dois extremos parece natural.
Os sensatos e oportunos tem duas das principais características para se tornarem os “amigos do peito”. Não vão concordar com tudo sempre. Vão até puxar sua orelha quando necessário. E também não vão hesitar em te pedir ajuda, porque uma hora todos precisam. Vocês conversarão sobre problemas, mas principalmente sobre soluções. Ele não o ajudará em sua autocomiseração, mas te obrigará a reagir, porque sabe que você é capaz.
Os extravagantes nas palavras dirão que precisam desabafar, mas tudo o que procuram é apoio e justificativa para sua loucura. O resto é desculpa pra permanecer no erro.
Os calados demais geralmente procuram agradar além do coerente e, como as pessoas gostam muito mais de falar do que de escutar, usam esta técnica – infalível - para conquistar carinho e vantagens que serão necessários em algum momento, mais tarde.
Muito piegas.
Mas nem sempre é agradável ouvir a verdade... e há aqueles que não escutam nada e só querem falar e falar, como se os problemas se auto resolvessem, conforme materializa seu despeito e carência em palavras inúteis.
Os verdadeiros amigos podem não ser perfeitos ouvintes e não esbanjarem com presentes para você. A demonstrações de carinho podem ser sutis, mas o amor é grande.
E é ele que estará na doença, na pobreza e na tristeza.
Olhe para sua vida, reflita... Qual o perfil das pessoas com quem realmente pôde contar nas horas difíceis? E veja quem é que tem mais chances de te amparar quando a saúde e juventude lhe faltarem.
Não se deixe levar pelas aparências. Saiba reconhecer e dar valor ao que merece valor. Coloque os pingos nos “is” de sua vida. Enquanto está em tempo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mães modernas e mães diferentes

A maternidade moderna tomou um rumo completamente avesso ao modelo que a maternidade tradicional possuía.

Minha avó, apesar de ter parido e amamentado tanto quanto eu, tinha uma vida muito diferente da minha. Sua vida era criar os filhos e obedecer seu marido politicamente incorreto.
Tolerava situações hoje impensáveis. Mas era o único jeito que havia para se viver.

Muitas mulheres reagiram a isto e puderam dar às suas filhas ferramentas para fugirem desta sina quando chegassem à idade de se casar.
E elas usaram bem estas ferramentas.

Por isso, hoje temos mulheres de muito poder, verdadeiramente independentes e livres. Livres de maridos, filhos e família, presas ao trabalho, falsas amizades e a vaidade.

Algumas desejam nunca terem filhos. Outras usam os homens como outrora foram usadas.

Há aquelas absolutamente inteligentes e as que sabem dominar e conseguir tudo o que querem. Pro bem e pro mal.

A questão é que essas duas mulheres foram de um extremo a outro em pouquíssimas gerações. E como tudo o que muda muito rápido, esse "salto evolutivo" não tem a consistência que parece ter.

E agora vemos incubadoras humanas que não são necessariamente mães...
Pessoas que não querem viver nada peculiar à maternidade, mas querem ser "mães". Ocupadas demais para educar, cansadas demais para brincar, frescas demais para gestar, medrosas demais para parir, impacientes demais para amamentar... E por aí vai.

Pior do que as ações são as desculpas para elas.
Esses argumentos são defesas pessoais.
Não sei se há como ser menos difícil, mas quando nos propomos a ser mães, temos que assumir um compromisso com a maternagem.
Maternar é ser mãe com açúcar... Ser envolvida, amiga, criança de novo.
E é tão gostoso...

Meus filhos são minha vida. Mas além disso, são meus companheiros, meus parceiros. Eles são tão agarrados, porque sabem que me dedico a eles. E sei que, conforme forem crescendo, terão ainda mais capacidade de perceberem o quanto nossa família é dedicada a eles e feliz.

Acho que todas (ou quase todas) as mães biológicas são capazes de maternar, porque até as adotivas, sem a prerrogativa do instinto, são. O que falta a muitas mães é coragem e segurança.

Tantas confiam mais no obstetra e no pediatra do que em si mesmas! É a primeira vez na historia que isso acontece e já pode-se observar as conseqüências do exagero. Estes profissionais são importantes, mas não passam de orientadores em nossos ideais para nascimento e criação de nossos pequenos.

Podemos trabalhar e maternar. Nada é impedimento para isso. Para ser presente não precisa estar perto todo o tempo. Mas a dedicação fruto exclusivo da convivência é fundamental.

Então dou aos meus filhos o melhor parto que posso lhes dar, amamento por muitos anos e me dôo todo dia.

Por eles me mudei para um sitio meio isolado, estou sem tv, arrumei uma belíssima cachorra, me tornei uma vegetariana mais convicta, cresci em minha integridade e pratico cama compartilhada. Porque acredito que eles precisam de mais espaço, tempo, carinho, respeito, dignidade e colinho de mamãe, respectivamente.

Abri mão de muitas coisas legais ao decidir ser mãe, mas o que a maternidade me traz em troca é desproporcionalmente recompensador.

Surpresas

Viver é muito arriscado.
Todos os dias levantamos com o planejamento de como deve ser cada passo... Cada horário, tarefa e até o sentimento que devemos ao longo da jornada diária.

Fazemos isso conscientes (mas não sei se tanto assim) de que precisa-se de muito pouco para essa rotina se desordenar completamente.
Uma noticia de uma doença grave para si mesmo, a partida de um amigo importante, o acidente de sua alma gêmea...

Sempre penso sobre isso. Eu aceito a morte melhor do que a maior parte das pessoas. Mas a morte é a coisa mais injusta que conheço.

Não se sabe quando vai acontecer, nem de que forma, nem quando se vê aquela pessoa pela última vez. Assim fica difícil discutir, sabendo que aquela pode ter sido o último contato (ate que se prove o contrario) para sempre? E a culpa por não ter feito o melhor, por não ter se despedido dignamente.

Tudo bem, se esta partida fosse anunciada, agiríamos bem diferente. Mas poderia ser melhor, não?! E se a morte não existisse? Não seria tão chato assim. Há muita coisa para se descobrir, muita gente para conhecer, muitas sensações para experimentar e muito lugar para ir.
Sinceramente, nada a ver ter que morrer.

Tudo o que somos e que temos morrerá conosco. Daqui a 100 anos, se você não tiver escrito um bom livro, feito um bom filme ou educado bem seus filhos, ninguém se lembrará de você. Será como se não tivesse existido.

Dá um trabalhão viver, mas certamente isso só conta para você mesmo.
Então não tenho medo da morte, mas penso muito no que a saudade pode causar. Saudade de alguém que não vai chegar deve ser um sentimento avassalador. Dá pra imaginar a dor que provoca... Uma vazio sem data pra terminar, uma dor sem fim.

Deve ser muito difícil lidar com isso.
Esse negócio de viver todo dia como se fosse o último demanda muita energia emocional.

Poderíamos simplesmente viver em paz, com etapas, mas sem finalizações.
Porque a morte pode até ser necessária, mas não tem graça nenhuma.

Quem sou eu

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Mamae Dydy
Intensa e amante irremediavel da vida e de minha pequena grande família. Sou a Dydy, Enfermeira Obstetra humanista, eterna namorada do Sandro, mãe apaixonada do Kakau e da Gaia, ambos nascidos sob a segurança e paz de nosso lar. Sou uma viciada em Ocitocina e na verdadeira humanização do nascimento. Moro num sitio chamado Pedacinho do Céu que é "meu lugar de ser feliz". Acredito no parto como uma maneira sutil e fantástica de começar a transformar o mundo. Gosto das coisas naturais e respeito igualmente qualquer manifestação da vida, mesmo que não seja a humana. Trabalho para deixar este mundo um pouquinho melhor para mim e meus filhos índigos. E estou conseguindo. Acredito no poder do pensamento poisitivo e isto é o que chego mais perto de ter religião. Não estou de braços cruzados. Estou plantando, semeando e contruindo uma realidade do jeito que ambiciosamente desejo: perfeita.
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